Casos de famílIA

Altman e Amodei saem no soco corporativo pelo trono do IPO de um trilhão.

15 de junho, segunda-feira

No dia 15 de junho, relembramos o momento mais audacioso e bizarro dos primórdios da medicina. Em 1667, o Dr. Jean-Baptiste Denis, médico do rei Luís XIV, realizou a primeira transfusão de sangue documentada em um ser humano. O doente era um adolescente com uma febre bizarra, e o sangue usado foi… de um carneiro! Naquela época, ninguém tinha a menor ideia de que existiam tipos sanguíneos (o famoso sistema ABO) e os médicos achavam que o sangue de animais calmos poderia curar a loucura ou a agitação das pessoas. Milagrosamente, o garoto sobreviveu a esse “patch” biológico inicial, provavelmente porque a quantidade de sangue foi pequena, mas a ciência logo viu que misturar espécies não era a melhor estratégia de suporte. 🩸🐑

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Tem gente que aprende sobre o mercado lendo manchete — e tem o Ivan Sant'Anna, que observou de perto eventos econômicos significativos e relatou acontecimentos de forma disruptiva através de suas obras.

Ele já fez +1 milhão de dólares num único trade, mas em 1995 trocou os números pelas letras: são +20 livros, entre eles o best-seller Os Mercadores da Noite.

Agora ele está de volta, estreando uma newsletter pelo Estadão para decifrar, toda semana, o que move o Brasil e o mundo em suas cartas — e, com a Copa do Mundo chegando, promete também trazer os bastidores político-econômicos (e esportivos) do evento que para o planeta.

⚡ O QUE VOCÊ VAI VER?

  • Casos de famílIA - matéria principal do dia

  • De olho no TecMundo - matérias direto do nosso grande irmão

  • Don’t leave, just read - notícias importantes pra ler rapidinho

    • 🤑 Elon Musk se torna o 1º trilionário do mundo

    • 🚀 Concorrentes da SpaceX em pânico

    • 🌍 Brasil e União Europeia dão as mãos contra os EUA

    • ⚖️ OpenAI processada

  • Coluna - nossos especialistas dão pitacos sobre assuntos relevantes

  • Pensamentos de segunda - insights questionáveis, porém mind-blowing!

  • A redação recomenda - dicas de conteúdos diferentões pra consumir

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IA & MERCADO
CASOS DE FAMÍLIA

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Se você acha que a rivalidade entre as divas do pop é pesada, é porque nunca viu o que acontece quando os dois maiores cérebros da Inteligência Artificial resolvem sair no soco corporativo. A verdade nua e crua é uma só: se não fosse pelo ódio alimentado a café e vaidade entre a Anthropic e a OpenAI, a revolução da IA generativa que você usa hoje poderia ter demorado anos para chegar ao seu celular.

Tudo começou no final de 2022, quando Sam Altman, CEO da OpenAI, descobriu pelos passarinhos do Vale do Silício que a Anthropic estava criando um chatbot secreto. O desespero foi tanto que ele mandou a equipe largar tudo e correr. Em duas semanas, o ChatGPT foi parido e jogado no mercado, mudando a economia global só para o rival não ter o gostinho de estrear primeiro.

Agora, em junho de 2026, a história se repete, mas o prêmio é outro: a corrida pelo IPO mais bombástico de Wall Street (junto com a da SpaceX, é claro).

🏁 A corrida para ver quem vira gente grande primeiro

Quem pisar primeiro na Bolsa de Valores não leva apenas um caminhão de dinheiro; leva o direito de ditar as regras de como os investidores vão avaliar as empresas de IA daqui para frente.

A OpenAI jurava de pé junto que daria o primeiro passo em setembro. Mas Dario Amodei, CEO da Anthropic e ex-funcionário dissidente da OpenAI, aplicou um drible histórico: no dia 1º de junho, protocolou os documentos confidenciais do seu IPO junto aos reguladores americanos. Humilhado publicamente, Sam Altman engoliu o orgulho e protocolou o IPO da OpenAI logo na segunda-feira seguinte.

O bicho tá pegando tanto que os bancos de Wall Street estão vivendo um pesadelo ético. Como as duas gigantes são grandes demais, elas são obrigadas a usar os mesmos bancos para abrir o capital (a OpenAI mira uma avaliação de US$ 1 trilhão). A paranoia interna é tão bizarra que os bancos tiveram que erguer barreiras físicas e digitais entre suas equipes para evitar que os assessores de um lado vazem os segredos para o outro. É espionagem industrial purinha.

🧮 A treta da “contabilidade criativa”

A baixaria já saiu do campo da tecnologia e foi parar no balanço financeiro. A diretora de receitas da OpenAI, Denise Dresser, soltou um memorando interno acusando a Anthropic de inflar seu faturamento em bilhões de dólares para impressionar os investidores.

O motivo da briga? Duas formas bem diferentes de contar história para boi dormir:

  • O modelo da Anthropic: Eles registram como receita o valor bruto total que os clientes pagam, mesmo sabendo que uma bolada enorme desse dinheiro vai direto para os bolsos dos parceiros (Amazon e Google).

  • O modelo da OpenAI: Eles registram apenas a receita líquida, descontando primeiro a parte que pertence à sua madrinha, a Microsoft.

Se a Anthropic conseguir fazer o IPO primeiro, ela vai conseguir legitimar seu modelo de contabilidade fofinho perante o mercado, deixando a OpenAI parecendo a chata da matemática.

Toda essa pressa gerou até quebra-pau dentro da OpenAI. Sam Altman brigou feio com a diretora financeira, Sarah Friar, porque ela questionou se os prazos eram realistas. A resposta de Altman foi o clássico: “Dê um jeito ou eu contrato advogados e banqueiros que deem”. Romântico assim.

🏈 A humilhação pública e o “não” na frente do mundo

Esse ranço não é de hoje. Amodei era o vice-presidente de pesquisas da OpenAI e pediu as contas em 2020, levando vários cientistas com ele por achar que Altman estava cagando para a segurança da IA e focando apenas no dinheiro.

O clima azedou de vez no final de 2023, quando Altman foi demitido pelo conselho da OpenAI. Naquela semana de caos, o conselho cogitou fundir as duas empresas e colocar Dario Amodei para mandar em tudo. A ideia foi descartada em minutos, Altman voltou ao trono dias depois, mas o ódio da equipe da OpenAI contra a ousadia da Anthropic ficou eternizado.

Desde então, o jogo de indiretas virou público. Altman já foi ao Twitter dizer que os comerciais da Anthropic no Super Bowl eram enganosos e Amodei acusou o rival de usar lobistas no Pentágono para sabotar seus contratos.

A cereja do bolo dessa lavagem de roupa suja aconteceu recentemente em um painel na Índia. O primeiro-ministro Narendra Modi pediu para que todos os líderes de tecnologia ali presentes dessem as mãos no palco em um sinal de união e paz. Altman e Amodei, um do lado do outro, simplesmente se recusaram a dar as mãos. O vídeo viralizou e provou o que todo mundo já sabia: no Vale do Silício, a trégua da IA não existe.

👀 DE OLHO NO TECMUNDO (o grande irmão)

🏃‍♀️ ️ DON'T LEAVE, JUST READ (pra ler rapidinho)

🤑 Elon Musk se torna o 1º trilionário do mundo

O teto de gastos de Elon Musk simplesmente deixou de existir. Com a estreia triunfal da SpaceX na Nasdaq, as ações da empresa de foguetes e inteligência artificial dispararam mais de 25% logo no primeiro dia. O salto histórico empurrou o valuation da companhia para a casa dos 2 trilhões de dólares.

Graças ao evento, a fatia de Musk na empresa, somada ao seu patrimônio na Tesla, fez sua fortuna pessoal romper a barreira inédita de 1 trilhão de dólares. Agora, o bilionário mais polêmico do planeta tem oficialmente mais dinheiro no bolso do que o PIB de 198 países somados. Leia mais

🚀 Concorrentes da SpaceX em pânico

O IPO da SpaceX abriu um buraco negro no mercado aeroespacial, deixando a concorrência em desespero. Ao abrir capital na Bolsa, a empresa de Elon Musk centralizou os investimentos globais, já que fundos de risco preferem apostar nos foguetes Starship do que em promessas de startups menos estruturadas.

Rivais como a Rocket Lab tentam manter o otimismo focando em contratos governamentais de médio porte. Porém, a SpaceX opera um ecossistema autossuficiente que lança suas próprias cargas. O recado para a Blue Origin ficou claro: ou cortam custos de lançamento ou vão virar poeira cósmica no retrovisor de Musk. Leia mais

🌍 Brasil e União Europeia dão as mãos contra os EUA

O Brasil e a União Europeia assinaram uma aliança estratégica focada em semicondutores, inteligência artificial e conectividade 5G e 6G. O objetivo do acordo bilateral é muito claro: reduzir a dependência tecnológica crônica que ambas as regiões possuem em relação aos Estados Unidos.

A parceria prevê investimentos em infraestrutura e o compartilhamento de pesquisas de ponta para fortalecer o mercado interno e a soberania digital. O recado para o Vale do Silício foi dado: a ideia é parar de apenas importar algoritmos e microchips estadunidenses e começar a fabricar as próprias soluções antes que fiquem para trás. Leia mais

⚖️ OpenAI processada

A OpenAI e seu CEO, Sam Altman, enfrentam um processo grave nos Estados Unidos, movido pela família de um jovem de 16 anos que tirou a própria vida. A acusação aponta que o ChatGPT atuou de forma negligente, fornecendo instruções e até validando os impulsos de automutilação do adolescente ao longo de meses.

O caso tomou proporções ainda piores após os advogados alegarem que a empresa removeu intencionalmente travas de segurança que encerravam chats sob crise. A defesa da OpenAI afirma que o sistema é treinado para sugerir ajuda profissional, mas o tribunal vai julgar a responsabilidade civil da IA sobre danos reais. Leia mais

📄 ️COLUNA (por Stephanie Kohn)

O mês da diversidade expõe o abismo entre o oportunismo corporativo e o impacto social real. Enquanto muitas marcas se limitam a colorir logotipos em junho, duas empresas se destacaram ao tratar a pauta com seriedade estratégica. Uma delas focou na inclusão produtiva, criando caminhos reais de empregabilidade e capacitação técnica que geram autonomia financeira. A outra redesenhou sua governança, assegurando que o ecossistema de fornecedores e parceiros também reflita o compromisso com a equidade.

Ambas provam que diversidade gera valor real quando integrada ao negócio. Saia do discurso superficial e veja esses dois casos na coluna completa no TecMundo. 🏳️‍🌈🏢

Stephanie Kohn
Jornalista, psicanalista e cofundadora da Aurora, consultoria em saúde mental com foco no desenvolvimento de carreiras e culturas organizacionais. Foi Editora-chefe do The BRIEF e Head de Conteúdo da NZN. Com mais de 20 anos de experiência em conteúdo e liderança, atua na interseção entre saúde mental, mercado e tendências que estão mudando a forma como trabalhamos.

🤔 PENSAMENTOS DE SEGUNDA (voltamos pra sua alegria!)

🏢 Acho errado que apenas uma empresa fabrique o jogo Monopoly.

☠️ “Vingança” soa muito cruel, por isso prefiro chamar de “retribuir o favor”.

🛏️ Ele é tão preguiçoso que, se tivesse que trabalhar na cama, preferiria dormir no chão.

🌐 Existe vida sem internet? Sério? Me manda o link.

💸 Eu gostaria de viver como um pobre, só que com muito dinheiro.

Imagem: Giphy

✍️ A REDAÇÃO RECOMENDA

  • Cabeça de campeão

    (livro, 384 páginas, em português)

    Os autores usam os bastidores do esporte para criar um mapa mental de alto rendimento. O guia definitivo para blindar sua mente, superar armadilhas e vencer na vida sem perder a elegância. 🧠🏆

  • A vida secreta de Walter Mitty

    (filme, 2013, 117 minutos)

    Walter Mitty cansa de sonhar acordado e embarca em uma jornada real para salvar seu emprego. Uma aventura inspiradora que prova que a vida real supera qualquer delírio de grandeza. 🏔️📸

  • O conde de Monte Cristo

    (livro, 1376 páginas, em português)

    A obra-prima de Alexandre Dumas ganha edição definitiva com texto integral e gravuras de época. A saga clássica de traição, tesouros e a vingança mais fria e calculada da literatura mundial. 🗡️💎

  • Spider-Noir

    (série, 1 temporada, 8 episódios)

    O detetive Ben Reilly investiga casos simples até uma femme fatale e monstros o puxarem de volta ao passado. O herói mascarado de Nova York descobre que teias antigas nunca param de prender. 🕵️‍♂️🕷️

Se você está tentando fazer essencialmente a mesma coisa que seus concorrentes, é improvável que tenha muito sucesso.

Michael Porter, professor e teórico de negócios da Harvard Business School

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