Conselhos de negócios? Lixo!

O CEO da Kalshi ignorou guruzinhos, construiu um mercado de previsões de US$ 22 bi e provou que o melhor guia é não ter guia.

13 de agosto, quinta-feira

O dia 13 de agosto marca o aniversário do feito que levou a telefonia para o meio da rua. Quando William Gray patenteou o telefone tarifado em 1889, ele inaugurou o conceito de comunicação como serviço acessível em qualquer esquina. A motivação veio de um perrengue real: com a esposa doente, Gray implorou para usar o telefone de uma fábrica e teve o pedido negado. Decidido a resolver o problema, ele criou o orelhão analógico que cobrava pelo uso. A primeira unidade operada por moedas foi instalada em um banco em Hartford e virou sucesso imediato, pavimentando a rede de orelhões que dominou as cidades no século XX. Esse invento democratizou a infraestrutura de telecomunicações urbanas antes da chegada dos celulares. A urgência pessoal virou utilidade pública mundial! 📞🪙

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CARREIRA & MERCADO
CONSELHOS DE NEGÓCIOS? LIXO!

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O CEO da Kalshi, Tarek Mansour, de 30 anos, tem uma opinião pouco simpática sobre uma indústria inteira de livros, podcasts e palestras de empreendedorismo: boa parte dos conselhos de negócios é “lixo”

E ele não fala isso exatamente da cadeira de quem está começando. A Kalshi, mercado de previsões que ele fundou ainda jovem, chegou a uma avaliação de US$ 22 bilhões e tem cerca de quatro milhões de usuários ativos.

Sabe aquela pilha de livros sobre gestão acumulando poeira no seu criado-mudo e o podcast de negócios em 2x? Tarek Mansour manda avisar que você pode dar unfollow em tudo (inclusive, não vamos nem indicar esse tipo de livro hoje na seção A Redação Recomenda 😬).

🔋 O paradoxo da mentoria

Aqui entra o primeiro insight cirúrgico pra C-suite: a inflação de palpites

Mansour pontuou que o mercado está lotado de gente que ama dar conselhos só pra se sentir inteligente, e seguir fórmulas prontas pode ser a rota mais rápida pra mediocridade. Pra líderes, o aprendizado aqui não é virar um rebelde sem causa, mas aprender a filtrar esse ruído

Estruturar a estratégia da sua empresa copiando o guia do vizinho tira o seu poder de adaptação rápida e mata a inovação original que te destacaria no setor.

Mas calma lá, porque “improvisar” não é sinônimo de ser desleixado. 

A jornada até esses US$ 22 bi exigiu uma resiliência braba: foram anos de atrito regulatório pesado com a CFTC até aprovarem os contratos do mercado de previsões. O diferencial da Kalshi foi a obsessão pela tese de produto e a coragem de bancar o risco quando até o próprio founder acordava querendo desistir.

📢 Correr riscos (com moderação)

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A escala exponencial do negócio veio rápido, saltando de US$ 2 bi em 2025 pra especulações de US$ 40 bi em 2026, mas esse boom absurdo atrai holofotes gigantes no mesmo nível. 

Na última semana, o estado de Nova York meteu um processão contra a Kalshi pedindo US$ 36 bilhões sob a alegação de apostas esportivas não autorizadas. Tarek rebateu, mostrando que o setor tradicional se incomoda quando a pressão aumenta. 

O aviso é claro: escala agressiva sem blindagem jurídica antecipada transforma o próprio sucesso em vetor de vulnerabilidade.

Qual é a moral da história pra quem está no comando de grandes operações? O próprio Tarek resume em assumir o máximo de riscos possível, mas adiciona uma ironia fina pedindo pra ninguém levar a palavra dele como verdade absoluta. 

A governança moderna exige pragmatismo: questionar consensos consolidados e testar hipóteses na prática em vez de travar em análises infinitas

Ignorar gurus não significa gerir no escuro, mas sim assumir a autoria total das decisões sem usar boas práticas de mercado como muleta pra fugir da responsabilidade.

👀 DE OLHO NO TECMUNDO (o grande irmão)

🏃‍♀️ ️ DON'T LEAVE, JUST READ (pra ler rapidinho)

📱 Troca de favoritismo

A Foxconn finalmente virou a página da sua dependência histórica da Apple. Pela primeira vez, a divisão de nuvem e redes — impulsionada pela produção de servidores para inteligência artificial — superou o setor de eletrônicos de consumo e respondeu por mais de metade do faturamento da empresa taiwanesa no trimestre.

A virada de chave não significa que a fabricação de iPhones caiu, mas sim que a busca insaciável por infraestrutura de IA cresceu em um ritmo vertiginoso. No fim das contas, a montadora mostrou que encontrou um novo cliente predileto e trocou a dependência de um único smartphone pela farra sem fim dos data centers. Leia mais

💬 Gambiarra orgânica

Um ex-funcionário do Google decidiu criar uma alternativa totalmente livre de algoritmos e modelos de linguagem: o ChatTJB. A plataforma funciona como uma sátira e experimento social, onde mais de 100 mil perguntas enviadas por usuários são lidas e respondidas manualmente por uma rede de cerca de 10 mil voluntários humanos espalhados pelo mundo.

Divulgado provocativamente como uma “interface de bate-papo impulsionada por IA” — com a sigla significando na verdade “indivíduo médio” —, o serviço chegou a receber 5 mil mensagens por hora. A iniciativa prova que, quando o assunto é dar respostas duvidosas na internet, a mão de obra humana continua sendo imbativelmente autêntica. Leia mais

📖 O fim da utopia

A ex-funcionária Claire Stapleton, uma das organizadoras da famosa greve global de 2018 no Google, lançou o livro Don't Be Evil para expor como a gigante de buscas abandonou seus ideais originais. Contratada em 2007, a especialista em comunicação apelidada de “Barda do Google” descreve a transição do ambiente utópico inicial para uma cultura corporativa com gestão desorientada e tecno-otimismo exagerado.

A insatisfação explodiu com a má condução de denúncias de assédio sexual envolvendo executivos. Stapleton pediu demissão após relatar retaliações e rebaixamento por sua liderança no protesto. A obra expõe como a clássica promessa de “não ser malvado” acabou soterrada pela própria burocracia do negócio. Leia mais

⚽ Futebol de elite

Um consórcio de pesos-pesados formado por Jeff Bezos e pelo brasileiro Eduardo Saverin está perto de fechar a compra de 30% do Liverpool. A transação envolve cerca de £ 1,35 bilhão e avalia o tradicional clube inglês em mais de US$ 6 bilhões, em um negócio costurado diretamente com o Fenway Sports Group (FSG).

Se o martelo for batido, será a estreia do fundador da Amazon como proprietário de um time do esporte bretão. Já Saverin, que bateu na trave ao tentar arrematar o Chelsea anos atrás, finalmente deve realizar o sonho da SAF própria. Pelo visto, quem disse que dinheiro não compra felicidade claramente nunca tentou escalar o ataque do Liverpool. Leia mais

✍️ A REDAÇÃO RECOMENDA

  • Semiótica da IA

    (livro, 224 páginas, em português)

    O livro investiga a cognição híbrida entre humanos e máquinas sob a ótica da semiótica. Basicamente, os filósofos tentam explicar por que você conversa com um robô e ainda acha graça nisso. 🤖💬

  • 1917

    (filme, 2020, 111 minutos)

    Dois soldados atravessam o território inimigo em uma missão suicida para salvar centenas de vidas. Quem diria que mandar um recado sem WhatsApp seria um esporte tão radical. 🎖️💣

  • Os cinco caminhos para o perdão

    (livro, 368 páginas, em português)

    A obra reúne contos no universo Hainish sobre o doloroso recomeço após o fim da escravidão. Prova que libertar o planeta é fácil; difícil é aguentar os parentes no grupo da família. 🌌🕊️

  • O pacto

    (filme, 2023, 117 minutos)

    Um soldado e seu intérprete enfrentam territórios fatais no Afeganistão para salvar a própria pele. É a amizade mais intensa e perigosa desde a invenção do consórcio de carro. 🎖️🪖

Os próximos cinco anos serão mais disruptivos do que os últimos 15. Não se trata de um cenário de negócios como o de sempre. Muitas tecnologias que surgiram há três anos já não funcionam mais.

Saul Berman, acadêmico e rabino ortodoxo estadunidense

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