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Do esgoto ao topo: Reddit quer 1 bi

A rede social mais caótica da internet quer provar que o papo de bar entre humanos é o novo ouro da IA.

26 de junho, sexta-feira

Hoje celebramos o aniversário do som mais icônico das suas compras: o “bip” do caixa do supermercado. Em 1974, um pacote de chicletes de menta da Wrigley's foi o primeiríssimo produto com código de barras (sistema UPC) a ser escaneado comercialmente na história, em um mercado de Ohio, nos EUA. Antes desse leitor a laser óptico dar as caras, os caixas tinham que digitar o preço de cada item na mão — uma lentidão logística que gerava filas quilométricas. O chiclete e o scanner daquele dia viraram peças de museu (literalmente, estão no Smithsonian), marcando o início da automação comercial que hoje permite que você passe suas compras em segundos no self-checkout. 🍬📟

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MERCADO & TECNOLOGIA
DO ESGOTO AO TOPO: REDDIT QUER 1 BI

Giphy

Se você usa a internet há mais de dois dias, sabe que o Reddit sempre foi o puxadinho mais peculiar da web. Basicamente, um bando de avatares anônimos votando no que é bom ou ruim, criando desde as teorias da conspiração mais malucas até os conselhos de skin care mais cirúrgicos da história. O negócio era tão caótico que a plataforma vivia banindo comunidades tóxicas. 

Mas o jogo virou, queridos! Na Fortune, a COO da empresa, Jen Wong, mandou avisar que o que era “peixe fora d'água” há dez anos, agora virou o suprassumo da autenticidade. Em tempos de deepfakes e textos de IA, ver gente real conversando com gente real virou o maior luxo da modernidade.

📵 Dinheiro no bolso e marcas no feed

E não é que essa vibe “conversa de boteco” está dando certo? O Reddit finalmente saiu do vermelho, abriu capital na Bolsa em 2024 e está lucrando horrores

Hoje, são mais de 120 milhões de viciados diários divididos em 100 mil comunidades.

O desafio agora é enfiar anúncio nesse povo sem que eles percebam. Os chamados redditors odeiam marketing forçado, então a estratégia é criar posts patrocinados que fingem ser posts normais e contas oficiais pro SAC não parecer um robô chato.

Mas tem um detalhe que deixa os executivos preocupados: quem manda ali são os moderadores voluntários. Sim, a engrenagem do Reddit roda na base de pessoas reais que trabalham de graça limpando o feed porque amam suas comunidades. 

“Eles não são nossos funcionários e não querem ser”, já adiantou Jen Wong. Isso significa que, se a empresa tentar forçar a barra com marcas chatas, os mods simplesmente trancam o parquinho.

🤖 Vendendo fofoca humana pros robôs

Se você achava que o Google sabia tudo, é porque nunca jogou uma dúvida no buscador e colocou “reddit” no final pra achar a resposta de um humano de verdade. 

Esse arquivo gigante de papos reais virou uma mina de ouro tão bizarra que o site virou o queridinho do momento. Sabe quem amou isso? A OpenAI e o próprio Google, que fecharam contratos milionários pra usar as conversas da galera pra treinar suas IAs

Basicamente, o Reddit está monetizando o seu desabafo da madrugada. O risco é o feitiço virar contra o feiticeiro e o site começar a ser inundado por bots de IA, matando a única coisa que presta ali: a humanidade.

🤑 Rumo ao bilhão (com o pé na grama)

Pensou que a meta era tímida? Jen Wong quer simplesmente bater 1 bilhão de usuários na plataforma

A estratégia pra chegar lá é meio contraditória: eles querem incentivar as pessoas a usarem a rede social pra... saírem da internet. A ideia é apoiar clubes de corrida locais e encontros reais de pessoas que se conheceram nos fóruns. 

É quase uma ironia da Geração Z: usar telas pra achar amigos e depois ir tocar na grama juntos. Se essa ambição vai dar certo ou não, só o tempo dirá.

👀 DE OLHO NO TECMUNDO (o grande irmão)

🏃‍♀️ ️ DON'T LEAVE, JUST READ (pra ler rapidinho)

🔍 Busca e IA juntas

O Google avisou: o Gemini não veio pra matar os icônicos links azuis da busca clássica. Em entrevista ao TecMundo, o VP da empresa garantiu que ninguém vai “desligar” a inteligência artificial, mas que o futuro do buscador é obrigatoriamente um casamento (híbrido e meio forçado) entre humanos e robôs.

A gigante de Mountain View agora tenta equilibrar o prato: precisa entregar respostas mastigadas por IA sem matar de fome os sites parceiros — que já viram sua audiência murchar em mais de 20%. No fundo, o recado é um clássico “com Deus não se brinca”: a IA veio pra ficar e o mercado que lute pra se adaptar a essa nova era da navegação. Leia mais

👔 Ego vs. Home Office

Um estudo de seis anos da Wharton School revelou que a cruzada de grandes CEOs contra o home office tem menos a ver com produtividade e mais com o próprio ego. Os pesquisadores cruzaram dados e descobriram que líderes com traços marcantes de narcisismo têm uma tendência muito maior a exigir o retorno integral ao escritório.

Pra medir a dimensão do ego alheio, a pesquisa usou critérios curiosos, como o tamanho da assinatura do executivo e o destaque de sua foto em relatórios anuais. No fim, chefes que adoram posar de imperadores preferem ver as cadeiras cheias pra alimentar seu senso de poder e controle, transformando o “vão pro escritório” em pura massagem de ego. Leia mais

📰 Mais um processo pra conta

A OpenAI e a Microsoft estão encarando mais um processo pesado de direitos autorais. Desta vez, um consórcio de editoras que comanda quase 400 jornais nos EUA acusa as empresas de “roubarem intencionalmente” centenas de milhares de artigos jornalísticos pra treinar seus modelos de IA, faturando bilhões sem pagar um único centavo de compensação.

Os advogados das publicações usaram contra Sam Altman sua própria fala ao parlamento britânico, onde ele admitiu ser “impossível” criar IAs de ponta sem usar material protegido. Do outro lado, a OpenAI sacou a clássica defesa do fair use (uso justo) de dados públicos. Enquanto o mercado de mídia sangra audiência, a queda de braço nos tribunais americanos promete definir quem paga a conta da inovação. Leia mais

🧮 Física quântica sob suspeita

A Microsoft levou um balde de água fria em suas ambições quânticas. Um novo estudo acadêmico colocou em xeque os resultados científicos com os férmions de Majorana, a grande aposta da empresa pra criar qubits superestáveis e liderar a corrida da computação quântica global.

Os pesquisadores independentes sugerem que o sucesso anunciado pela gigante de Redmond pode ter sido apenas um “falso positivo” gerado por ruídos e defeitos nos próprios materiais semicondutores, e não uma descoberta revolucionária da física. A Microsoft defende sua pesquisa, mas a comunidade científica ligou o sinal de alerta, lembrando que, no misterioso mundo quântico, celebrar a vitória antes da hora costuma fazer as respostas simplesmente desaparecerem. Leia mais

💼 Gen Z culpa os robôs

A Geração Z está convicta de que a culpa por não conseguir emprego é da inteligência artificial. Um levantamento recente mostrou que os jovens profissionais acreditam que as vagas de entrada foram simplesmente engolidas pelos algoritmos, deixando o início de carreira muito mais difícil e concorrido.

Os economistas, porém, pedem calma com o apocalipse das máquinas. Segundo os especialistas, o verdadeiro vilão do desemprego jovem é a combinação clássica de taxas de juros elevadas, desaceleração econômica geral e o velho abismo da falta de experiência exigida pelo mercado. No fim, a IA pode até dar uma força na automação, mas a culpa pelo aperto no bolso ainda é do bom e velho cenário macroeconômico. Leia mais

🏃‍♀️ ️ RESUMÃO DO BRIFÃO (o remember da semana)

📊 Metade dos líderes corporativos globais adota a inteligência artificial sem qualquer governança. Embora 50% das empresas usem a tecnologia pra aumentar a produtividade, essa mesma parcela admite que não sabe monitorar vieses, alucinações ou falhas nos algoritmos. A pressa pra surfar no hype atropelou a segurança, deixando as companhias vulneráveis a vazamentos de dados e sérios processos jurídicos. Leia mais

🚀 A estreia histórica da SpaceX na Nasdaq transformou instantaneamente cerca de 4,4 mil funcionários e ex-colaboradores em legítimos milionários. Graças à cultura de distribuir fatias da empresa, a chuva de dinheiro alcançou desde técnicos de chão de fábrica até a alta liderança. Desse grupo, pelo menos 400 pessoas viraram “centimilionárias”, acumulando mais de US$ 100 milhões cada. Leia mais

🧱 A inteligência artificial ergueu uma verdadeira “muralha de ferro” para a Geração Z no mercado de trabalho. O Barômetro Global da PwC revelou que a tecnologia está engolindo as tarefas básicas e repetitivas que serviam de porta de entrada para os jovens profissionais. Sem essas vagas de nível júnior, as empresas passaram a exigir competências de nível sênior logo na primeira entrevista. Leia mais

🟢 Fim de uma era no WhatsApp: após sete anos no cargo, Will Cathcart anunciou sua saída da chefia global do mensageiro. Sob seu comando, o aplicativo transformou-se em uma potência de canais, comunidades e pagamentos, tendo o Brasil como seu principal laboratório. Cathcart tirará um período sabático e, enquanto a Meta não define o substituto oficial, Chris Daniels assume a cadeira interinamente. Leia mais

🤖 Sam Altman prevê que a IA realizará tarefas humanas impossíveis até 2030, assumindo 40% da economia global. Elon Musk é ainda mais radical, apostando que a tecnologia superará a inteligência de toda a humanidade somada em cinco anos. Enquanto os bilionários estipulam prazos, o setor corre contra o tempo pra resolver o gargalo de energia e infraestrutura. Leia mais

🛰️ A insaciável demanda da inteligência artificial por energia e água está levando os data centers pro espaço. Com restrições terrestres crescentes, como leis proibindo o consumo excessivo de água, empresas planejam lançar servidores à órbita. A ideia é aproveitar a energia solar direta e o vácuo pra refrigeração, aliviando a infraestrutura e o grid do planeta. Leia mais

📉 A Oracle cortou cerca de 21 mil empregos globais pra otimizar recursos e investir pesado na expansão de sua infraestrutura de IA. O movimento expõe o paradoxo do setor: enquanto vagas especializadas em nuvem e inteligência artificial disparam, áreas tradicionais como vendas, suporte e hardware legado sofrem demissões em massa pra priorizar os chips da NVIDIA. Leia mais

💸 As ações da SpaceX na Nasdaq sofreram forte correção após o rali histórico pós-IPO. O gatilho pra queda foi o anúncio de uma emissão monstruosa de US$ 20 bilhões em títulos pra financiar projetos de inteligência artificial e infraestrutura. A forte reação dos investidores fez o valor de mercado da companhia flertar perigosamente com a linha dos US$ 2 trilhões. Leia mais

🔎 O avanço da inteligência artificial generativa e uma debandada de talentos colocaram a hegemonia do Google nas buscas em risco. Concorrentes como OpenAI e Perplexity ganham espaço em pesquisas conversacionais, enquanto Mountain View tenta reter pesquisadores atraídos por rivais. A empresa corre pra blindar seu motor de anúncios e provar que ainda dita as regras do setor. Leia mais

🛡️ O Claude Mythos, modelo da Anthropic voltado pra cibersegurança, acendeu o alerta em Washington ao encontrar brechas complexas e vulnerabilidades “zero-day” em sistemas confidenciais do governo dos EUA. A capacidade da IA protege parceiros do projeto Glasswing, mas levanta debates urgentes sobre segurança nacional, já que a ferramenta pode se transformar em uma perigosa arma digital caso caia em mãos erradas. Leia mais

🏢 A Meta está sob pressão do governo americano por evitar o envio de seus novos modelos de IA pra revisão oficial de segurança. Enquanto rivais como OpenAI e Google aceitaram a auditoria voluntária, a empresa de Mark Zuckerberg adia a avaliação do Muse Spark. A Meta alega intenção de cooperar, mas retém os códigos pra evitar a interferência estatal em seus algoritmos. Leia mais

👤 O uso diário de inteligência artificial está aumentando o isolamento social e a desconexão entre profissionais de tecnologia. Ao substituir a troca de ideias com colegas por comandos rápidos pra robôs, os funcionários ganham produtividade, mas perdem interações humanas básicas. O relatório alerta que essa automação isolada prejudica a saúde mental e a criatividade, gerando um bug na cultura corporativa. Leia mais

✍️ A REDAÇÃO RECOMENDA

  • Cointeligência: a vida e o trabalho com IA

    (livro, 224 páginas, em português)

    Ethan Mollick convida você a tratar os algoritmos como colegas de equipe e mentores. Uma bíblia corporativa realista pra dominar o trabalho híbrido com robôs sem perder o próprio emprego (ou os parafusos) no processo. 🤖🧠

  • As ovelhas detetives

    (filme, 2026, 114 minutos)

    Após a morte misteriosa do dono, um rebanho decide investigar o crime por conta própria. O grupo precisa sair do pasto e encarar a complexa e bizarra realidade do mundo dos humanos. 🐑🕵️‍♂️

  • Saudades do que nunca fomos

    (livro, 160 páginas, em português)

    Fabio Luis cruza política e futebol pra mostrar como o esporte virou refém do dinheiro e de picanhas de ouro. Uma leitura envolvente sobre a perda do nosso futebol arte. ⚽️📉

  • Os sem nome

    (série, 1 temporada, 6 episódios)

    Uma médica grávida descobre que sua filha, assassinada por um fanático há sete anos, pode estar viva. Ela se une a um ex-policial falido e à jovem ressurgida das cinzas pra desmantelar uma seita macabra. 🕵️‍♂️🤰

O século 21 será, sem dúvida, marcado por uma luta para conter o poder excessivo das corporações.

Eric Schlosser, jornalista investigativo e autor estadunidense

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Somos o The BRIEF, o briefing diário de inovação, tecnologia e negócios com inteligência e personalidade pra quem precisa estar por dentro de tudo sem perder tempo e o bom humor. Uma criação original do TecMundo. Editor: Rafael Farinaccio. Repórter: Alice Labate.