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IA não salva empresa bagunçada

Antes de escalar agentes de IA, CEOs precisam atacar dívida técnica, dados ruins e processos quebrados.

21 de agosto, sexta-feira

Hoje é aniversário da versão 1.22 do Netscape Navigator, lançada em 1995, o software que abriu as portas da internet comercial. Em pleno ano do boom do ecossistema pontocom, essa atualização acelerou o carregamento de páginas e refinou a segurança dos dados com o protocolo SSL. Era a primeira vez que pessoas comuns podiam fazer compras online sem pânico! Essa virada de chave colocou o navegador no topo do mundo tech e acendeu o sinal de alerta na Microsoft, dando início à lendária “Guerra dos Navegadores” dos anos 1990. 🌐🛒

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IA & MERCADO
IA NÃO SALVA EMPRESA BAGUNÇADA

Giphy

Todo CEO quer falar sobre o que a IA pode fazer. O problema é que pouca gente quer falar sobre o que precisa ser arrumado antes pra ela funcionar de verdade. 

A tese de Sastry Durvasula, COO da TIAA, e Manish Sharma, diretor de Estratégia e Serviços da Accenture, é justamente essa. Segundo eles, muitas empresas estão colocando agentes de IA sobre sistemas legados, dados espalhados e fluxos de trabalho cheios de etapas desnecessárias

Resultado? A empresa não fica mais eficiente; ela só consegue fazer a mesma confusão em velocidade 5G.

Os executivos usam a própria TIAA como exemplo. A companhia, que tem 108 anos, passou quase dois anos modernizando sua infraestrutura de dados antes de tentar escalar IA. 

O trabalho incluiu limpar dados, desligar sistemas antigos e redesenhar processos. O efeito apareceu no negócio: mudanças em opções de investimento de planos de aposentadoria passaram de semanas pra dias, enquanto o engajamento digital dos milhões de participantes aumentou 13%.

🤖 Primeiro o básico, depois o robô.

O insight pra quem está comandando uma empresa é menos divo e, talvez por isso mesmo, mais importante. IA não deveria ser tratada como um projeto isolado de tecnologia, mas como parte de uma transformação do modelo operacional

Antes de sair distribuindo agentes pela companhia, vale decidir quais sistemas ainda fazem sentido, quais podem ser aposentados e onde a infraestrutura precisa ser reconstruída. Afinal, IA também tem talento pra amplificar problemas.

Os dados entram nessa mesma conta. Os autores citam que apenas 5% das empresas dizem ter dados prontos pra IA e apontam uma previsão da Gartner de que 60% dos projetos de IA seriam abandonados até 2026 por falta de dados adequados

A saída, segundo eles, não é simplesmente acumular mais informação, mas criar uma base unificada e governada, com qualidade suficiente pra alimentar os modelos.

🖥️ Nem tudo precisa virar chatbot

Outro ponto é redesenhar o fluxo de trabalho inteiro, e não apenas automatizar uma tarefa específica. Uma empresa pode colocar IA em uma etapa e continuar com outras nove etapas desnecessárias logo depois.

Por isso, os autores defendem analisar cada função sob uma lógica 80/20: alguns trabalhos serão pouco alterados pela IA, enquanto outros podem ser transformados quase completamente, e quem executa essas atividades todos os dias provavelmente sabe melhor onde estão os obstáculos.

A estratégia também muda quando confiança e risco entram em cena. A TIAA, por exemplo, criou a plataforma de IA generativa e agentes GAIT, que chegou a 85% de adoção diária entre funcionários. A ideia é usar IA pra aumentar a produtividade das equipes, enquanto situações mais sensíveis, como decisões financeiras de clientes, continuam envolvendo pessoas

Pra quem lidera, o ponto é que escalar IA não significa necessariamente tirar humanos da equação. Em alguns casos, significa colocar humanos em tarefas que exigem mais julgamento, com uma IA fazendo o trabalho pesado nos bastidores.

Mas é esse “back office sem glamour” que pode determinar se a IA vai virar resultado ou apenas mais um piloto eternamente em beta. Na analogia dos autores, os trilhos continuam sendo tão importantes quanto o trem e, na corrida da IA, talvez seja melhor gastar um pouco de tempo consertando a ferrovia antes de comprar a locomotiva mais rápida da estação.

👀 DE OLHO NO TECMUNDO (o grande irmão)

🏃‍♀️ ️ DON'T LEAVE, JUST READ (pra ler rapidinho)

🔔 IPO no horizonte

A diretora financeira da OpenAI, Sarah Friar, revelou a funcionários que a empresa planeja abrir seu capital em 2027. O anúncio interno visa acalmar a equipe diante das recentes perdas operacionais e da forte concorrência no setor, indicando que a transição pra uma estrutura corporativa tradicional e o acesso ao mercado de ações devem sustentar os pesados investimentos em infraestrutura e servidores nos próximos anos.

A sinalização de um IPO marca um ponto de virada pra criadora do ChatGPT, que foca na maturidade financeira. No fim das contas, Sam Altman e sua turma decidiram que a melhor forma de pagar a conta astronômica dos robôs inteligentes é vendendo pedacinhos da empresa no pregão de Wall Street. Leia mais

🚫 Filtro antiburocracia

A co-CEO do Dropbox, Drew Houston, revelou que adota um método rígido pra proteger sua agenda: recusar qualquer reunião que não esteja diretamente alinhada com as cinco metas estratégicas do trimestre. A executiva explicou que a regra vale pra toda a liderança e busca eliminar encontros desnecessários, fóruns de discussão sem decisão clara e conversas que apenas drenam o tempo útil da equipe.

A postura radical visa manter o foco total do time nas prioridades de negócios do trimestre. No fim das contas, a chefia do Dropbox provou que o segredo pra ter uma rotina produtiva não é trabalhar mais horas, mas sim ter a coragem de recusar convites com um belo e sonoro “não”. Leia mais

🧪 Cola com cara de inovação

Um novo estudo conduzido por cientistas da computação revelou evidências de que inteligências artificiais chinesas podem ter sido treinadas utilizando dados extraídos de modelos americanos avançados, como o GPT-5.6 e o Claude Opus 4.8. Por meio de um método que analisa o “raciocínio oculto” dos sistemas, os pesquisadores identificaram padrões idênticos, reforçando as suspeitas de que startups como Moonshot AI usaram a técnica de destilação pra baratear custos.

A prática permite criar IAs altamente competitivas sem gastar os mesmos bilhões em desenvolvimento. No fim das contas, enquanto os EUA queimam fortunas em servidores pra ensinar seus robôs a pensarem sozinhos, a China provou que copiar a folha do colega mais inteligente da turma continua sendo a estratégia mais econômica. Leia mais

🤖 Da dancinha pro batente

Durante a Conferência Mundial de Robótica em Pequim, centenas de fabricantes chineses exibiram robôs humanoides separando encomendas, embalando celulares e realizando tarefas domésticas. A meta do setor é migrar das acrobacias e coreografias pro uso comercial e industrial em larga escala, atraindo investidores e acelerando a produção em massa.

A movimentação reforça a disputa tecnológica da China contra os Estados Unidos na área de IA física. No fim das contas, os robôs finalmente deixaram as dancinhas de lado e pegaram no pesado, provando que nem as máquinas de ferro conseguiram escapar do destino inevitável da CLT. Leia mais

🏃‍♀️ ️ RESUMÃO DO BRIFÃO (o remember da semana)

🌕 O bilionário Dylan Taylor afirma que humanos viverão e trabalharão na Lua no início da década de 2030. O projeto prevê novos setores como mineração, redes de energia e data centers em órbita, exigindo presença humana no local. Se o presencial na Terra já era difícil, prepare-se pra encarar reuniões com gravidade reduzida e fuso horário lunar. Leia mais

💼 A popularização da IA está levando executivos a deixarem cargos de gestão pra voltarem ao trabalho operacional. Chamado de “a grande execução”, o movimento ocorre porque a automação reduziu relatórios e reuniões, permitindo focar na criação de produtos. Pelo visto, gerenciar robôs e criar projetos virou um alívio tão grande que lidar com gente virou o fardo. Leia mais

🛰️ A Vivo e a Starlink estão perto de fechar um acordo pra levar internet via satélite direto aos celulares no Brasil. Com tecnologia Direct-to-Device, o serviço vai usar regras de um sandbox da Anatel pra garantir sinal em áreas remotas. Agora não tem fugida: a parceria de Elon Musk com a operadora vai tirar a desculpa de “ficar sem rede” até no meio da floresta. Leia mais

🍎 A Apple propôs à Justiça dos EUA taxas de até 15% sobre compras feitas fora da App Store, alegando que sites externos ainda usam sua infraestrutura e segurança. Pequenos desenvolvedores pagariam entre 5% e 10%. A Maçã provou que você até pode tentar pegar um atalho fora da loja oficial, mas ela sempre dará um jeito de colocar o chapéu pra recolher o dízimo. Leia mais

A Anthropic superou US$ 65 bilhões em receita anualizada em julho, multiplicando por sete seu ritmo em relação ao ano passado. O salto foi puxado pela IA corporativa e ferramentas pra programadores, superando a OpenAI e preparando terreno pro IPO. Pelo visto, enquanto a turma pede piadas ao robô, a dona do Claude ganha bilhões vendendo código pra empresas. Leia mais

📱 A Xiaomi acalmou o mercado ao declarar que o pior da crise de suprimentos e memórias já passou. Com a estabilização da cadeia global, a produção de smartphones deve retomar o ritmo normal, aliviando custos e evitando reajustes drásticos. A favorita do custo-benefício respira aliviada, garantindo a troca do celular sem você precisar vender um rim. Leia mais

⚖️ A Meta começou a ser julgada nos EUA em ação movida por dezenas de estados que a acusam de projetar o Instagram e o Facebook pra viciar jovens. A acusação aponta o uso de rolagens infinitas e notificações manipulativas, enquanto a empresa alega ter criado ferramentas de controle parental. Zuckerberg terá de provar que conecta pessoas, não apenas hipnotiza a molecada na tela. Leia mais

🕊️ A Apple anunciou uma reformulação completa nas regras da App Store na União Europeia a partir de outubro de 2026. A empresa unificará os termos e cobrará comissão de apenas 5% em vendas externas ou lojas de terceiros, ajustando taxas internas. A Maçã percebeu que ceder um pedaço do bolo aos reguladores sai bem mais barato que acumular multas bilionárias. Leia mais

⚖️ O julgamento da Meta nos EUA começou com promotores acusando Zuckerberg de ignorar danos psicológicos aos jovens em nome do engajamento. A defesa alegou ter criado diversas ferramentas de controle parental pra mitigar problemas. A empresa agora terá de provar aos juristas que suas notificações incessantes foram feitas pra aproximar pessoas, e não pra sequestrar a atenção dos adolescentes. Leia mais

👔 O CEO da Siemens, Roland Busch, adotou um estilo de gestão que bane reuniões recorrentes e responde a e-mails apenas com um sucinto “OK”. A ideia do executivo é cortar a burocracia pra focar no trabalho estratégico. Enquanto muitos líderes perdem horas em encontros inúteis, o chefão alemão provou que o segredo da produtividade é digitar o mínimo e fechar o Zoom. Leia mais

💸 A OpenAI faturou US$ 6,7 bilhões no 2º trimestre de 2026, mas frustrou investidores ao ver a Anthropic liderar com US$ 11,6 bilhões. Com o prejuízo operacional saltando pra US$ 12,3 bilhões, o clima pesou pra criadora do ChatGPT. Sam Altman descobriu que torcer bilhões em servidores é fácil; o difícil é convencer o mercado de que a conta fecha. Leia mais

☁️ EUA e parlamentares tentam fechar uma brecha que permite a empresas chinesas acessarem chips da Nvidia via nuvem. Embora a venda física pra China seja proibida, startups usam servidores no Sudeste Asiático pra rodar seus modelos. Washington descobriu que banir o envio das caixas não adianta nada se os chineses controlam os supercomputadores com um simples acesso remoto. Leia mais

📄 ️COLUNA (por Igor Lopes)

A digitalização transformou o setor automotivo, exigindo que oficinas independentes evoluam para centros de diagnósticos tecnológicos altamente capacitados. O avanço da frota conectada e eletrificada exige investimento contínuo em scanners inteligentes, dados precisos e qualificação profissional para manter a viabilidade do negócio.

Nesse novo cenário, a graxa abre espaço para a análise de dados e a precisão dos sistemas eletrônicos embarcados. Acelere a modernização do seu negócio e acompanhe a reflexão completa na coluna de Igor Lopes do TecMundo. 🚗⚙️

Igor Lopes
Founder do Innovation Hub e co-founder do Transformação Digital e Canaltech. Jornalista com quase 20 anos de experiência em tecnologia e inovação, com passagens por eventos globais e colunas na BandNewsTV, ITForum, Terra, Times Brasil/CNBC e The BRIEF/TecMundo.

✍️ A REDAÇÃO RECOMENDA

  • Ignorância: uma história global

    (livro, 368 páginas, em português)

    Peter Burke mapeia a persistência da ignorância humana ao longo dos séculos. O livro deixa claro que ter acesso à informação ilimitada não impede ninguém de falar bobagem. 📚🧠

  • Crash: no limite

    (filme, 2005, 110 minutos)

    Vários destinos se colidem em Los Angeles revelando tensões raciais e preconceitos urbanos. O tipo de trânsito violento em que o choque cultural machuca muito mais que a lataria. 🚗💥

  • A comida como cultura

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    Montanari analisa como a produção e o consumo de alimentos moldam nossa identidade social. A escolha do seu prato revela sobre você muito mais do que a sua dieta. 🍝📜

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    (série, 2023, 1 temporada, 10 episódios)

    A subida meteórica e o colapso repentino de um grupo de rock nos anos 1970. Um bastidor recheado de ego e paixão no qual o sucesso custa caro demais. 🎸🎙️

A estratégia é o padrão que une objetivos e ações em um todo coerente.

Henry Mintzberg, acadêmico e escritor canadense

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Somos o The BRIEF, o briefing diário de inovação, tecnologia e negócios com inteligência e personalidade pra quem precisa estar por dentro de tudo sem perder tempo e o bom humor. Uma criação original do TecMundo. Editor: Rafael Farinaccio. Repórter: Alice Labate.