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Revolução da IA ou fim do Excel?

O mercado corre rápido, mas nós temos o jogo de cintura (e sentimentos).

17 de julho, sexta-feira

O dia 17 de julho marca o nascimento da infraestrutura que transformou o entretenimento familiar e o turismo global em uma máquina de escala bilionária. Em 1955, a Disneyland foi inaugurada oficialmente em Anaheim, na Califórnia. Antes da Disneyland, parques de diversões eram vistos como lugares sujos e meio suspeitos; Walt Disney mudou o jogo ao criar um conceito “temático” imersivo e extremamente limpo. A transmissão de inauguração pela TV foi o evento ao vivo mais complexo da época, assistido por metade da população dos EUA, mas a difusão foi cheia de bugs de sinal, câmeras batendo e atores perdidos pelo cenário. Apesar de todos os travamentos do primeiro dia, o modelo de negócios provou-se um sucesso absurdo, criando a fórmula de monetização de propriedade intelectual que hoje dita as regras do entretenimento de massa. 📺✨

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CARREIRA & IA
REVOLUÇÃO DA IA OU FIM DO EXCEL?

Giphy

Se você passou os últimos meses olhando pro ChatGPT com aquele leve suor frio na nuca, achando que o seu próximo trabalho seria programar o robô que iria te demitir, pode ir soltando o ar. 

A real é que o debate sobre IA e mercado de trabalho ficou meio binário e dramático demais: ou a IA cria a utopia da produtividade infinita, ou nos joga na fila do desemprego. Mas a verdade, segundo dados de quem estuda o meio, está bem longe do apocalipse.

Meu chefe (e divo editor do The BRIEF) me mandou um áudio filosofando sobre o tema e ele trouxe a melhor analogia possível: lembra de Matrix? Aquela galera que foge pra cidade subterrânea de Zion já é totalmente mapeada pelo sistema; é uma dinâmica de equilíbrio planejada pro ecossistema continuar rodando e evoluindo.

O mercado não é bobo: pra economia girar e as empresas crescerem, é preciso ter consumo, circulação de renda e pessoas ativas. No fim, o ecossistema se adapta naturalmente porque as empresas precisam de clientes viáveis e, pra consumir, nós precisamos de boletos pagos e bons salários.

Se você ainda duvida, a McKinsey veio passar um pano morno na nossa ansiedade e apontou que 60% das profissões têm pelo menos 30% de suas tarefas automatizáveis

Ou seja, a IA não vai roubar sua cadeira, ela vai roubar aquela planilha de Excel chata que você procrastina o dia todo pra preencher. O impacto real da tecnologia é a complementaridade e a transformação da qualidade do trabalho, não a substituição em massa.

🪷 Pra tudo tem um jeito

Pra provar isso na prática, a Genesys, que lida com milhões de interações de clientes por dia, mostrou que no atendimento ao cliente a IA é ótima pra responder onde fica o botão de reset, mas é péssima pra acalmar um cliente irritado na sexta-feira às 18h

Aliás, 76% dos consumidores não ligam se quem resolve o problema é um bot ou um humano, desde que resolva rápido. Mas o calcanhar de Aquiles das marcas continua sendo a impossibilidade de falar com uma pessoa quando dá ruim de verdade. O robô faz o trabalho pesado e repetitivo, e a gente entra com a empatia e o jogo de cintura.

Giphy

A grande jogada do momento não é a tecnologia em si, mas o que as empresas chamam de orquestração, que é colocar o robô e o humano pra trabalharem juntos sem que você precise repetir sua história três vezes ao ser transferido. 

A Gartner prevê que a IA vai otimizar vagas operacionais, sim, mas vai criar ainda mais oportunidades em análise de dados e novos fluxos de trabalho. Basicamente, o trabalho chato diminui e sobra tempo pra gente focar no que realmente gera valor (e exige discernimento humano).

🎞️ Calma, baby, já estivemos aqui antes

O grande desafio pra nossa geração de profissionais agora tem um nome bonito: reskilling. O Fórum Econômico Mundial estima que teremos que requalificar cerca de 44% das nossas habilidades pra aprender a trabalhar lado a lado com os algoritmos. 

É como o estouro da internet nos anos 2000: todo mundo achou que o mundo ia acabar, mas a galera só teve que aprender a mandar e-mail e usar o Google. A IA vai exigir que você estude um pouco mais, mas também promete um aumento de até 14% no PIB mundial até 2030, segundo a PwC.

No final das contas, as empresas que vão vencer essa corrida não são as que demitirem todo mundo pra colocar um chatbot no lugar, mas sim as que entenderem que a IA é o melhor assistente que você poderia ter

Então respira fundo, aceita que você vai ter que aprender a domar a máquina e aproveita que o seu emprego vai continuar sendo seu, só que, com sorte, bem menos repetitivo.

👀 DE OLHO NO TECMUNDO (o grande irmão)

🏃‍♀️ ️ DON'T LEAVE, JUST READ (pra ler rapidinho)

🍔 Império do delivery

O Uber decidiu acabar com a brincadeira e sacou US$ 14,8 bilhões do bolso pra engolir a alemã Delivery Hero. Se os xerifes antitruste não barrarem o negócio, a fusão vai criar a maior plataforma de entrega de comida do planeta fora da China, unindo as marcas em impressionantes 99 países.

A fome de expansão do Uber Eats tem alvo certo: bater de frente com rivais como DoorDash e Just Eat, que andam crescendo o olho nos mercados globais. Caso o casamento seja aprovado no segundo semestre de 2027, o volume de transações combinado da nova gigante deve bater os US$ 236 bilhões. Pelo visto, o “pede um Uber” vai ganhar um significado muito mais global. Leia mais

😇 Gentileza gera promoção

Jon Gray, o bilionário presidente da Blackstone, revelou o segredo mais bem guardado do sucesso corporativo: ser gente boa. Segundo o executivo da gigante de investimentos, o fator mais subestimado pra subir na carreira não é a genialidade acadêmica, mas sim a decência e a capacidade de trabalhar em equipe.

Gray garante que líderes de verdade preferem promover “pessoas decentes e amáveis” do que gênios arrogantes com quem ninguém aguenta passar cinco minutos no elevador. O recado pros workaholics tóxicos de plantão é claro: em tempos de IA e relações frias, tratar o estagiário com um sorriso pode render mais bônus no final do ano do que aquela planilha impecável. Leia mais

⚙️ Nvidia em terras samurais

Jensen Huang colocou sua clássica jaqueta de couro na mala e desembarcou no Japão. A Nvidia lançou o Cosmos 3 Edge, seu novo chip de IA voltado pra processamento local (na ponta, ou “edge computing”), projetado pra dar inteligência a robôs, carros autônomos e dispositivos inteligentes sem depender totalmente da nuvem.

Pra garantir que o chip não fique pegando poeira, a gigante das GPUs fechou parcerias de peso com gigantes japonesas, incluindo SoftBank e operadoras locais, que vão integrar a novidade em suas redes de telecomunicação e fábricas automatizadas. O plano da Nvidia é claro: transformar o Japão no maior laboratório de robótica com IA do mundo e, claro, garantir mais alguns bilhões no bolso. Leia mais

🚪 Portas abertas na marra

A União Europeia resolveu dar um “sossega Leão” no Google usando as garras da Lei de Mercados Digitais (DMA). A Comissão Europeia publicou duas medidas pesadas que obrigam a gigante a abrir recursos nativos do Android e compartilhar dados preciosos do seu buscador com rivais de inteligência artificial.

No Android 18 (até agosto de 2027), o Google terá que liberar 11 recursos do sistema pra terceiros — o que inclui permitir que concorrentes criem comandos de voz idênticos ao “Ei, Google”. Além disso, a empresa terá que entregar dados de buscas e cliques pra ajudar outras IAs a treinar seus modelos. O monopólio tremeu, e o Google vai ter que aprender a dividir o parquinho. Leia mais

🏃‍♀️ ️ RESUMÃO DO BRIFÃO (o remember da semana)

⚔️ A OpenAI e a Anthropic acusaram empresas chinesas, como Alibaba e DeepSeek, de usarem “destilação” — o uso de respostas do ChatGPT e Claude — pra treinar suas próprias IAs gastando pouco. A Anthropic alega que a Alibaba utilizou 25 mil contas falsas pra extrair dados do Claude, encurtando a liderança dos EUA pra seis meses. Leia mais

💸 Nikesh Arora, CEO da Palo Alto Networks, afirmou que a IA corporativa está cara demais. Pra ele, os custos dos tokens precisam cair 90% pra viabilizar a adoção em larga escala pelas empresas. Embora a eficiência dos modelos melhore, gastos globais de US$ 1,5 trilhão em infraestrutura tornam a tecnologia insustentável sob os preços atuais. Leia mais

👤 Pela primeira vez desde 2018, o presidente chinês Xi Jinping discursará presencialmente na abertura da Conferência Mundial de Inteligência Artificial em Xangai. A mudança de postura reforça o peso estratégico do setor pra Pequim, que busca acelerar o desenvolvimento local, liderar o mercado globalmente e enviar um recado claro de competitividade ao Ocidente. Leia mais

📱 O mercado global de smartphones caiu 11% no segundo trimestre de 2026, registrando o pior desempenho desde 2013. A escassez de chips de memória, priorizados pra data centers de IA, encareceu os aparelhos. Modelos de entrada da Xiaomi, Oppo e Vivo sofreram o maior impacto, enquanto Samsung e Apple seguem confortáveis no topo do setor. Leia mais

🎭 A disputa entre Elon Musk e Sam Altman escalou após a Apple processar a OpenAI por roubo de segredos de ex-engenheiros. Musk chamou Altman de golpista no X por “roubar” tecnologia da Apple. Altman ironizou no lançamento do GPT-5.6 Sol, tuitando que a obsessão de Musk é o maior indicador do sucesso de sua IA. Leia mais

🚀 A DeepSeek iniciou conversas pra uma nova rodada de US$ 1,5 bilhão, que pode elevar seu valor de mercado pra US$ 71 bilhões apenas semanas após captar US$ 7 bilhões. O novo aporte visa expandir a infraestrutura computacional e preparar a startup chinesa pra um IPO a partir de 2027. Com o avanço rápido, a avaliação da empresa saltou de US$ 10 bilhões pra US$ 71 bilhões em apenas três meses. Leia mais

🔬 Demis Hassabis, CEO do Google DeepMind, propôs a criação de um órgão internacional de fiscalização de IA inspirado na FINRA financeira e supervisionado por Washington. O Prêmio Nobel alertou que, em 18 meses, sistemas avançados poderão criar ameaças biológicas, nucleares e cibernéticas, sugerindo que empresas enviem seus códigos pra testes de segurança 30 dias antes do lançamento. Leia mais

🧠 O CEO da SK Hynix alertou que o mercado global de memória enfrentará a pior escassez de chips da história em 2027. O gargalo é motivado pela alta demanda da inteligência artificial por componentes de alto desempenho, como as memórias HBM. Como erguer novas fábricas leva anos e custa bilhões, a crise deve se arrastar até o início da próxima década. Leia mais

🎢 As ações da SK Hynix subiram 8% em Seul e 27% em Nova York, após caírem no início da semana, puxando o setor de tecnologia asiático. Embora a alta traga alívio temporário, analistas mantêm a cautela. A volatilidade reflete a relação instável do mercado financeiro com a inteligência artificial, que oscila bruscamente entre a euforia extrema e o forte pessimismo. Leia mais

🪦 A Anthropic gerou polêmica ao lançar um comercial sombrio pra promover o Claude, exibindo imagens de cemitérios e incêndios ao questionar a segurança da IA. O vídeo virou piada nas redes sociais e recebeu fortes alfinetadas de Sam Altman, que achou se tratar de uma sátira. A empresa alegou que o objetivo era levantar debates importantes sobre a nova tecnologia. Leia mais

🍏 A OpenAI contestou o processo da Apple, classificando as acusações de roubo de segredos comerciais como infundadas. A criadora do iPhone alega que ex-funcionários contrabandearam dados confidenciais pra acelerar o desenvolvimento de hardwares com inteligência artificial da startup até 2027. Em resposta, a OpenAI garantiu que uma varredura interna não detectou irregularidades, congelando de vez a parceria entre as gigantes. Leia mais

🏷️ A OpenAI estuda reduzir drasticamente o preço de seus tokens pra baratear o uso do ChatGPT. A medida visa facilitar o acesso a modelos potentes por valores menores, pressionada por concorrentes chinesas que oferecem ferramentas quase de graça. Contudo, a estratégia acende um alerta entre investidores, temerosos de que a queima de estoque prejudique as margens de lucro da empresa. Leia mais

📄 ️COLUNA (por Sergio Maria)

A diferença entre resiliência e antifragilidade define a sobrevivência no mercado atual. Enquanto o resiliente foca em resistir à pressão e voltar ao estado original após um impacto, o antifrágil vai além: ele utiliza a desordem, o caos e os imprevistos pra evoluir e se fortalecer.

Em um cenário corporativo altamente volátil e moldado por mudanças tecnológicas aceleradas, apenas suportar as crises não basta; é preciso extrair valor delas. Descubra como aplicar essa mentalidade e prosperar no caos lendo a coluna completa de Sergio Maria no TecMundo. 🏋️‍♂️📈

Sergio Maria
Executivo com trajetória consolidada em startups, bigtechs e mídia. Foi Chief Digital Officer da CNN Brasil, Diretor no Google para a América Latina e liderou projetos de transformação digital e inovação na Globo. Atua na interseção entre tecnologia, governança e valores humanos, com foco em transformar a complexidade digital em valor. É fundador da 42ENGINE, consultoria em inovação e inteligência artificial aplicada, e da Newscale, plataforma de IA consequente voltada ao jornalismo. Coordena o Comitê Futuro da Governança do IBGC e também atua como conselheiro e investidor em iniciativas que conectam impacto, tecnologia e futuro. Além, é claro, de colunista do The BRIEF/TecMundo.

✍️ A REDAÇÃO RECOMENDA

  • IA e Big Tech$

    (livro, 336 páginas, em português)

    Bastidores da corrida trilionária pela IA no Vale do Silício. Uma disputa de egos e bilhões pra ver qual empresa vai mandar no nosso futuro e ler nossos e-mails. 💻💸

  • Amor e outras drogas

    (filme, 2011, 107 minutos)

    Uma jovem descompromissada se apaixona por um charmoso vendedor de Viagra. No fim, descobrem que a química do amor é mais forte que qualquer bula de remédio. 💊❤️

  • A próxima onda

    (livro, 420 páginas, em português)

    Um alerta realista sobre como a IA e a biotecnologia ameaçam a ordem global. O dilema é escolher entre o caos tecnológico ou uma supervigilância autoritária. Boa sorte pra nós. 🌊🤖

  • O mistério do soldado desaparecido

    (série, 1 temporada, 3 episódios)

    Uma mãe obstinada investiga o sumiço do filho fuzileiro e descobre um submundo de rituais sinistros e assassinos em série. Nunca duvide do instinto materno! 🕵️‍♀️💀

Se as pessoas soubessem o quanto eu tive que trabalhar para alcançar a maestria, não pareceria tão maravilhoso assim.

Michelangelo, tartaruga ninja, pintor, escultor, poeta, anatomista e arquiteto italiano

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Somos o The BRIEF, o briefing diário de inovação, tecnologia e negócios com inteligência e personalidade pra quem precisa estar por dentro de tudo sem perder tempo e o bom humor. Uma criação original do TecMundo. Editor: Rafael Farinaccio. Repórter: Alice Labate.