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Amigos? Sim. Inimigos? Também!
De colegas de laboratório a rivais bilionários, Altman e Amodei disputam mercado, narrativa e o futuro da inteligência artificial.

4 de março, quarta-feira
Há exatos 52 anos, o Rio e Niterói finalmente deram um “match” oficial com a inauguração da Ponte Rio–Niterói (mais conhecida como o terror de quem esquece de checar o nível de combustível). Em 1974, essa gigante de 12,9 km foi aberta para o tráfego, poupando todo mundo de dar uma volta imensa pela baía de Guanabara ou de depender só das barcas. O vão central da ponte é o maior em viga reta do mundo! É tanta engenharia que, se você olhar para o lado enquanto dirige (não faça isso), dá até um frio na barriga de estar flutuando sobre a baía. Na época, ela era a segunda maior ponte do mundo, perdendo apenas para uma nos EUA. Hoje, ela continua sendo o caminho oficial para quem quer fugir da capital ou buscar a paz em Niterói. 🚗🌊
CONTEÚDO PATROCINADO POR ESTADÃO

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Pode checar seu e-mail: os informes de rendimento dos bancos já devem estar chegando na sua caixa de entrada. E, com eles, começa a saga anual da entrega do Imposto de Renda: reunir os documentos, abrir o programa da Receita, preencher o que sabe, deixar em branco o que não entende.
Desta vez, o brasileiro está mais confuso que o normal depois da enxurrada de novidades tributárias que surgiram nos últimos meses.
💡 Mas lembre-se: a declaração que você vai entregar agora é sobre o ano-base 2025. Boa parte do que foi anunciado (IR mínimo, nova faixa de isenção, novos impostos em fase de teste) só vai ter efeito no seu IR do ano que vem.
Mas ninguém está dizendo que preencher a declaração este ano vai ser simples. Quem tem investimentos no exterior, fez reformas no seu imóvel, recebeu herança ou doações precisa redobrar a atenção para não ter dores de cabeça com a Receita.
🔴 Assista ao vivo (hoje, às 18h30): Como preparar sua declaração do IR 2026 e evitar erros no preenchimento.
A advogada tributarista Maria Carolina Gontijo, a Duquesa de Tax, vai responder suas dúvidas ao vivo na nova live da série Tax Tools - Tributação Inteligente na Prática.
⚡ O QUE VOCÊ VAI VER?
Amigos? Sim. Inimigos? Também! - matéria principal do dia
De olho no TecMundo - matérias direto do nosso grande irmão
Don’t leave, just read - notícias importantes pra ler rapidinho
🔄 OpenAI recua (um pouquinho)
📦 Amazon Now no Brasil
💻 Fim dos PCs baratinhos
🧠 Migração de memórias
Coluna - nossos especialistas dão pitacos sobre assuntos relevantes
A redação recomenda - dicas de conteúdos diferentões para consumir
Frase do dia - para refletir, concordar, discordar e compartilhar
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IA & MERCADO
AMIGOS? SIM. INIMIGOS? TAMBÉM!

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A rivalidade entre Sam Altman, da OpenAI, e Dario Amodei, da Anthropic, saiu dos bastidores técnicos e virou novela pública com direito a Super Bowl, Pentágono e um aperto de mão que não aconteceu. O que começou como uma discussãozinha boba sobre segurança virou uma disputa que pode moldar o rumo da IA e dos bilhões que giram em torno dela.
🪑 Do mesmo lado da mesa
Voltemos pra 2015. Um grupo de executivos e pesquisadores se reúne num hotel cinco estrelas na Califórnia pra discutir um medo comum: e se o bicho-papão (Google) dominasse sozinho a inteligência artificial? Entre os presentes estavam Altman, Amodei e Elon Musk.
A ideia era simples no papel e ambiciosa na prática: criar um laboratório independente que garantisse que a IA fosse desenvolvida de forma aberta e, principalmente, não concentrada em uma única gigante.
Dessa conversa nasceu a OpenAI. No começo, a proposta era meio fantasiosa: uma organização sem fins lucrativos, focada em pesquisa e no “bem da humanidade”. Parece roteiro de filme do Vale do Silício e, como todo bom roteiro, vieram as reviravoltas.
Amodei entrou um pouco depois, assumindo uma área crucial: segurança em IA. Traduzindo pra quem não vive de jargão técnico, ele era o cara que levantava a mão e perguntava “mas isso pode dar ruim?”. E, no mundo da inteligência artificial, essa é uma pergunta que nunca sai de moda.
⛈️ O clima pesou
Amodei cresceu rápido dentro da OpenAI. Virou diretor de pesquisa e teve papel central no desenvolvimento do GPT-2 e, depois, do GPT-3, o modelo que mostrou que máquinas podiam escrever textos, códigos e respostas com uma fluidez assustadora. Foi ali que muita gente percebeu que a IA tinha saído do laboratório e estava pronta pra virar produto.
O GPT-3 chocou o mercado e até os próprios pesquisadores, mas também acendeu alertas, porque quanto mais poderoso o modelo, maior o risco de uso indevido. Amodei já era melhor amigo da cautela e queria sempre mais testes, mais controle de acesso, enquanto Altman já enxergava o potencial de escala.
Antes de se dedicar totalmente à OpenAI, Altman era presidente da Y Combinator, uma das aceleradoras mais influentes do Vale do Silício, um ambiente onde a regra é crescer rápido, testar no mundo real e ajustar no caminho.
Quando deixou a YC para assumir de vez como CEO, levou essa mentalidade consigo. Foi sob sua liderança que a OpenAI adotou um modelo com fins lucrativos limitados e abriu espaço para investimentos bilionários.
Nos bastidores, o clima começou a pesar e, segundo relatos publicados em biografias e entrevistas, as divergências sobre ritmo de lançamentos e segurança ficaram cada vez mais intensas.
Não era gritaria no corredor, mas a vibe já não era exatamente de happy hour. Era aquela diferença clássica: um quer lançar agora e corrigir depois; o outro quer revisar dez vezes antes de apertar “publicar”.
💔 Divórcio da IA
No fim de 2020, Amodei saiu da OpenAI levando um grupo de pesquisadores, incluindo sua irmã Daniela. Oficialmente, sua saída foi devido a “divergências estratégicas”, mas em off era claro que tinha dado briga.
Em 2021, nasceu a Anthropic, criada por Amodei. A proposta era desenvolver sistemas de IA poderosos, mas com foco ainda mais rígido em segurança e testes internos antes de liberar ao público. Se a OpenAI parecia uma startup acelerando numa pista de Fórmula 1, a Anthropic queria ser o carro que passa por todos os check-ups antes de sair da garagem.
No meio disso, em 2022, a OpenAI lançou o ChatGPT. E aí, meu caro leitor, o jogo mudou de nível. O produto viralizou, virou ferramenta de trabalho, estudo, meme e até terapia improvisada. Hoje, a empresa afirma que o ChatGPT atingiu 900 milhões de usuários ativos semanais. É praticamente um país inteiro conversando com um robô.
A resposta da Anthropic veio em 2023, com o lançamento do Claude, seu próprio chatbot. A empresa entrou de vez na disputa pública por usuários, levando pro mercado a mesma promessa de segurança e cautela que guiou sua fundação.
🏈 Publicidade, Super Bowl e alfinetadas
Com escala vêm custos, e com custos vêm modelos de receita. A OpenAI começou a testar anúncios no ChatGPT, defendendo que publicidade é parte inevitável da internet, especialmente pra sustentar um produto gratuito pra milhões de pessoas.
A Anthropic aproveitou a deixa e, durante o Super Bowl deste ano, exibiu comerciais zoando assistentes de IA que interrompem respostas pra vender produtos. Embora a OpenAI não tenha sido citada nominalmente, o recado foi bem claro (com sublinhado, negrito e marca-texto).
Altman se doeu nas redes sociais, chamando os anúncios de “claramente desonestos” e acusando a rival de oferecer um produto caro voltado apenas pra quem pode pagar. A Anthropic, por sua vez, garante que não colocará anúncios no Claude e que prefere contratos corporativos e assinaturas pagas.
No fundo, a questão é como pagar a conta do futuro: anúncios pra bilhões ou assinatura pra menos gente, mas com mais controle?
🏚️ A casa caiu
A OpenAI finalmente percebeu que a vida não era um morango quando anunciou, no final do mês passado, um acordo de cooperação com o Departamento de Defesa dos EUA e grande parte dos usuários reagiu mal. Dados da Sensor Tower mostraram um aumento de 295% nas desinstalações do ChatGPT em um único dia após a notícia.
Muita gente foi correndo usar o Claude, da Anthropic (inclusive a cantora Katy Perry, que postou um print usando o chatbot), que vinha mantendo uma linha mais dura em relação a usos militares. A OpenAI respondeu dizendo que seus termos proíbem o uso da tecnologia em armas autônomas e no controle de armamentos, mas a confiança da galera não volta assim tão fácil.
Ao mesmo tempo, a própria Anthropic também sentiu a pressão do Pentágono pra afrouxar restrições em um contrato milionário. No fim, nenhuma delas está completamente fora da esfera do governo, o que muda é o discurso e o quanto cada empresa escolhe expor seus próprios limites.
🤝 O aperto de mão que não veio aí
Em uma cúpula de IA na Índia em fevereiro, organizada pelo primeiro-ministro Narendra Modi, líderes globais subiram ao palco pra uma foto simbólica de união. Altman segurou a mão de Modi. Amodei segurou a de outro executivo ao lado. Mas o ponto é que os dois não se deram as mãos. A coisa tá feia.
O gesto (ou a ausência dele) viralizou e a imagem passou a representar a chamada “Guerra fria da IA”.
🤷 E agora?
Hoje, a OpenAI é avaliada em mais de US$ 800 bilhões. A Anthropic, em cerca de US$ 380 bilhões. Juntas, valem mais do que o PIB de muito país por aí. Startup? Só no crachá.
As duas disputam contratos com empresas, governos e desenvolvedores. As duas oferecem modelos que escrevem, programam, automatizam e basicamente fazem aquele trabalho que você jurou que faria “depois do almoço”. A diferença é somente estratégica.
Não é só ego de CEO nem guerra de marketing no LinkedIn, é uma disputa sobre como construir e distribuir uma tecnologia que pode mexer com empregos, empresas e governos (e garantir que gere trilhões no processo também, é claro).
Se parece exagero, vale lembrar: há poucos anos, IA generativa era assunto de palestra, com crachá pendurado no pescoço e coffee break duvidoso. Hoje, está no celular da sua tia pedindo “faz uma corrente pra eu mandar no zap”.
No fim, a pergunta é simples (e nada simples ao mesmo tempo): quem você prefere que esteja com a mão no volante enquanto o carro acelera?


👀 DE OLHO NO TECMUNDO (o grande irmão)
Chips M5 avançados – Apple lança novos MacBook Air e MacBook Pro
Após acordo da OpenAI com os EUA – Desinstalações do ChatGPT disparam em 295%
Edge 70 Fusion – Motorola lança novo celular intermediário com funções avançadas
Grupo Dragonforce – FGV sofre vazamento de 1,52 TB em suposto ataque cibernético
“MacBook Neo” – Apple deixa escapar suposto novo notebook baratinho
Samsung esclareceu – Galaxy S26 não recebeu upgrade para tela 10-bit
🏃♀️ ️ DON'T LEAVE, JUST READ (pra ler rapidinho)
🔄 OpenAI recua (um pouquinho)
Após uma onda de críticas e um aumento nas desinstalações do ChatGPT, a OpenAI decidiu revisar seu acordo com o Departamento de Guerra dos EUA. Sam Altman anunciou que os termos serão ajustados para deixar claro que a tecnologia não será usada para vigilância doméstica de cidadãos americanos, respeitando a Constituição.
O CEO reforçou que agências como a NSA não terão acesso ao serviço sem novas alterações contratuais. Apesar das promessas de transparência e defesa das liberdades civis, o clima nas redes sociais continua pesado, com usuários questionando a proximidade da empresa com o setor militar. Leia mais
📦 Amazon Now no Brasil
A Amazon lançou nesta terça-feira (3) o Amazon Now no Brasil, prometendo entregas ultrarrápidas em apenas 15 minutos. O serviço foca em itens de mercado, como produtos frescos e perecíveis, atendendo inicialmente oito grandes capitais, incluindo São Paulo, Rio de Janeiro e Recife.
Em parceria com a Rappi, a gigante garante agilidade total e oferece frete grátis para pedidos acima de R$ 15 nesta fase de lançamento. A empresa afirma que não entregar no prazo é considerado um “defeito” e planeja expandir o catálogo para eletrônicos se houver demanda. É a Amazon desafiando o iFood no delivery imediato. Leia mais
💻 Fim dos PCs baratinhos
A era dos computadores de entrada está com os dias contados. De acordo com a consultoria Gartner, os laptops abaixo de US$ 500 (cerca de R$ 2.600) devem desaparecer do mercado até 2028. O culpado? A explosão nos preços de memórias RAM e SSDs, que devem subir 130% até o fim de 2026. Com custos de produção insustentáveis, as fabricantes vão focar apenas em modelos premium.
Para o consumidor, a saída será manter o aparelho atual por mais tempo ou recorrer ao mercado de usados, já que os preços globais de eletrônicos devem saltar 17%. Leia mais
🧠 Migração de memórias
O Claude acaba de lançar um recurso que vai facilitar a vida de quem quer “trair” o ChatGPT ou o Gemini. A Anthropic liberou uma ferramenta que permite importar todo o histórico e as memórias de IAs rivais, evitando que o usuário precise começar do zero. O processo é simples: você usa um prompt fornecido pela empresa na IA antiga e cola o resultado no Claude.
A novidade chega em um momento estratégico, aproveitando a polêmica parceria militar da OpenAI para atrair usuários que buscam uma alternativa mais alinhada a princípios éticos. Leia mais
📄 ️COLUNA (por Simone Bervig)
Navegar em sites com a ajuda de uma inteligência artificial ainda é uma experiência frustrante, marcada por cliques errados e falhas na leitura de códigos brutos. O Google Chrome acaba de lançar o WebMCP, uma tecnologia que permite aos sites fornecerem um “manual de instruções” estruturado para agentes de IA, eliminando a adivinhação. Por meio de comandos HTML e APIs de JavaScript, o navegador transforma labirintos digitais em cardápios organizados, onde a IA entende exatamente como pesquisar, agendar ou comprar.
Leia na coluna de Simone Bervig como essa inovação, liderada por engenharia brasileira, promete aposentar a navegação manual e criar a base para uma web onde os sites aprendem finalmente a falar a língua das máquinas. 🤖🗺️
![]() | Simone Bervig |
✍️ A REDAÇÃO RECOMENDA
Retórica (livro, 272 páginas, em português)
Aristóteles ensina que a oratória é a arte da persuasão, não apenas o falar bem. O livro explora como usar a lógica, a ética e as emoções para convencer qualquer público em cenários políticos ou jurídicos. ⚖️🗣️
Frankenstein (filme, 2025, 152 minutos)
O mestre do horror fantástico assume a clássica obra de Mary Shelley. Del Toro dá seu toque visual único à trágica história de Victor Frankenstein e sua criatura, explorando as consequências da ambição humana. 🧟♂️⚡
O sol é para todos (livro, 349 páginas, em português)
Pelo olhar curioso da pequena Scout, vemos o advogado Atticus Finch defender um homem negro injustamente acusado no racismo feroz do Alabama dos anos 1930. Um clássico sobre perda da inocência e busca por justiça. ⚖️🏠
Pacto brutal: o assassinato de Daniella Perez (série, 1 temporada, 5 episódios)
O assassinato de Daniella Perez parou o Brasil nos anos 1990. O documentário foca na luta hercúlea de Glória Perez para desmascarar os culpados e mudar as leis penais do país após uma investigação cheia de falhas. ⚖️🎬
Prefiro ter um inimigo que admita me odiar do que um amigo que me critique pelas costas.
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Somos o The BRIEF, o briefing diário de inovação, tecnologia e negócios com inteligência e personalidade pra quem precisa estar por dentro de tudo sem perder tempo e o bom humor. Uma criação original do TecMundo.
Editor: Rafael Farinaccio. Repórter: Alice Labate.
