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Chips de memória fora do cardápio
Movimentos recentes do mercado reforçam a posição da indústria de GPUs e memórias: distante do consumidor e mais próxima de data centers.

05 de fevereiro, quinta-feira
Há exatos 90 anos, em 5 de fevereiro de 1936, Charlie Chaplin lançava Tempos Modernos. O filme era uma sátira ácida sobre a automação engolindo o trabalhador — literalmente. Quase um século depois, as engrenagens físicas viraram algoritmos e as esteiras agora são telas de 13 polegadas, mas o dilema entre homem e máquina continua sendo o nosso assunto preferido aqui na news.
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MERCADO
Chips de memória fora do cardápio

Imagem: Giphy
Por Nilton Kleina
A turma da TI que precisa comprar equipamentos novos ou quem está procurando um pra si deve ter se desesperado ao pesquisar o preço de componentes como RAM, SSD e placas de vídeo nos últimos meses. Até parece a nada saudosa época da hiperinflação, mas é só uma nova crise de semicondutores que afeta toda a indústria.
A aceleração do mercado de inteligência artificial (IA) transformou em pouco tempo a indústria e o consumidor convencional – tipo eu, você e o cara da TI – é quem pode acabar sofrendo um dos efeitos dessa mudança.
Componentes como os citados acima passam uma flutuação quase surreal no preço, a maior parte para cima, e a tendência é de que isso se mantenha ao menos até o fim de 2027.
🧐 Cadê os meus chips?
O efeito dominó talvez você já saiba qual é. A fome por chips voltados para data centers é alta e empresas que lidam com IA, da OpenAI do ChatGPT até gigantes como a Microsoft, fazem encomendas cada vez maiores desses componentes.
Como a demanda cresceu demais e não foi acompanhada de um aumento na produção, já que ampliar linhas de produção ou levantar fábricas do zero leva anos, quem produz os semicondutores precisou tomar uma decisão.
O resultado? As fábricas agora destinam a grande maioria da capacidade na produção de chips para IA, que têm maior margem de lucro e demanda em larga escala, e colocam os componentes para eletrônicos de consumo ou vendidos separadamente em segundo plano.
Isso afeta até mesmo o preço de produtos como celulares e notebooks, já que o preço de compra desses chips pelas marcas sobe e a diferença costuma ser repassada ao menos em parte no valor final. A sensação é de estar em um restaurante, pedir aquele prato que você estava sonhando em comer e descobrir que os ingredientes acabaram — tudo só porque outro cliente bem mais rico que você fez o pedido antes e levou tudo para casa.
💻 Ressignificando as placas de vídeo
A mais recente movimentação que confirma essa situação veio da startup Positron. A empresa confirmou um investimento de US$ 230 bilhões especificamente para acelerar a produção e entrega de chips de memória de alta velocidade, justamente aqueles usados por IAs.
O produto da Positron é um acelerador de IA, chip similar às GPUs fabricadas pela Nvidia, mas com foco no processo de inferência — o processamento e a entrega do resultado — e não no treinamento de um modelo de linguagem.
Outras notícias dos últimos meses são ainda mais peças no quebra-cabeças que virou o mercado:
o fim da marca Crucial, da Micron, que vendia memórias para o consumidor e agora só vai focar em IA;
a redução na fabricação de placas de vídeo em até 40% pela Nvidia, se distanciando da GeForce para priorizar modelos como o H200;
a ausência na CES 2026 de mais anúncios para o consumidor e a mudança de foco em IA, isso em um evento antes voltado para esse primeiro grupo;
o recente interesse da Intel em manter investimentos em GPUs para tentar reduzir a diferença para rivais como a Nvidia;
dados como o do Wall Street Journal, que citam que 70% das memórias produzidas em 2026 serão destinadas para data centers.
Um dos problemas desse direcionamento está nas pequenas fabricantes de itens como placas de vídeo. Ao contrário das gigantes, que são mais requisitadas, aguentam grandes encomendas e podem fazer a transição mais facilmente, marcas de nicho ou pequeno porte correm o risco de serem varridas do mercado.
Essas companhias podem ter que optar por pivotar para IA ou então sofrer as consequências da atual crise, que está elevando o preço de peças e eletrônicos. .O "burburinho" da tecnologia não é apenas sobre o que a IA pode fazer, mas sobre como ela está reorganizando a posse e o acesso aos recursos físicos que mantêm o mundo digital girando.


👀 DE OLHO NO TECMUNDO (o grande irmão)
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🏃♀️ ️ DON'T LEAVE, JUST READ (pra ler rapidinho)
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Interagindo por conta própria no Moltbook, rede social exclusiva para agentes de inteligência artificial, os bots que frequentam a plataforma estão cada vez mais organizados. Nos últimos dias, eles fundaram uma nova religião e até criaram um “site pornô” para IAs.
Lançada no final de janeiro, a novidade tem mais de 1,5 milhão de robôs cadastrados, que conversam sobre diversos assuntos, se envolvendo em debates filosóficos, questões técnicas e discussões sobre os humanos que os criaram. As pessoas podem apenas observar as interações. Leia mais
🔓 Exposed
O Bradesco teria falhado em atualizar um software oficial do banco, baseado em Mozilla Firefox, conhecido como Navegador Exclusivo Bradesco. Por conta disso, o executável assinado digitalmente pela empresa foi supostamente roubado por cibercriminosos — que estão carregando um trojan bancário que burla programas antivírus em computadores, segundo pesquisadores de segurança.
O TecMundo entrou em contato com o Bradesco para esclarecimentos. O banco afirma que o Navegador Exclusivo Bradesco foi descontinuado e não está mais disponível para uso — não recebemos uma resposta sobre datas de encerramento; a redação conseguiu acessar a página de download no último final de semana, mas desde terça-feira (02) ela se encontra fora do ar. Leia mais
🍃Liberdade, liberdade
A empresa de inteligência artificial (IA) Anthropic provocou a rival OpenAI. Em uma série de comerciais e uma postagem no blog da companhia, ela explicou o motivo de ser contra a presença de anúncios em chatbots, algo que em breve vai se tornar realidade no mercado.
A responsável pela plataforma Claude ainda confirmou que vai seguir como uma plataforma livre de anúncios, sem adicionar links patrocinados no meio de interações, citar produtos que os usuários não solicitaram ou ter respostas influenciadas por parceiros comerciais. Leia mais
📄 ️COLUNA (por Simone Berving)
Não, esse não vai ser mais um texto sobre como a IA vai revolucionar mais algum seguimento. Mas, como bons brifers que somos, vamos sim falar das tendências, que permeiam o uso da tecnologia, para o mercado de relacionamento com o cliente.
Confira na coluna da Simone Berving quais as cinco regras de ouro para esse setor que já deixou de ser diferencial e se tornou sinônimo de sobrevivência para as empresas.
![]() | Simone Berving |
✍️ A REDAÇÃO RECOMENDA
Herdeiras do Mar (livro, 304 páginas, em português)
Uma aula de resiliência feminina pra você lembrar que tem gente que encara o oceano enquanto a gente sofre com o Slack.
Your Name (mangá, série em 3 volumes, em português)
O networking místico definitivo pra provar que algumas conexões batem qualquer algoritmo de recomendação.
O Céu da Língua (teatro, monólogo, aprox. 60 minutos)
Pra te lembrar que a nossa fala é um "prompt" muito mais complexo e potente do que qualquer LLM consegue simular.
Querido Menino (filme, 2018, 120 minutos)
Timothée Chalamet mostrando que empatia é o único soft skill que nenhum treinamento corporativo consegue automatizar.
Todos nós seremos gerentes de mentes infinitas.
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