Commodity sim, milagre não

No ESX Innovation Experience, especialistas defendem que IA já virou obrigação nas empresas e que o diferencial agora está nos dados, nos processos e na estratégia.

17 de junho, quarta-feira

Hoje, 17 de junho, celebramos o dia em que o mundo ganhou o primeiríssimo sistema de posicionamento por satélite da história! Em 1963, o laboratório de física aplicada da Universidade Johns Hopkins e os militares dos EUA declararam o sistema Transit totalmente operacional. Ele não foi criado pra você achar a hamburgueria mais próxima, mas sim para ajudar os submarinos nucleares da Marinha americana a recalibrar suas rotas no meio do oceano. Em vez de dezenas de satélites como temos hoje, o Transit operava com apenas cinco ou seis satélites em órbita, e a atualização de localização demorava cerca de uma hora para acontecer. Um verdadeiro teste de paciência analógica! 🌊📡

⚡ O QUE VOCÊ VAI VER?

  • Commodity sim, milagre não - matéria principal do dia

  • De olho no TecMundo - matérias direto do nosso grande irmão

  • Don’t leave, just read - notícias importantes pra ler rapidinho

    • 🤑 O império de bilhões (e trilhões) de Elon Musk

    • 🧠 Saúde mental no trabalho

    • 🤖 DeepSeek bilionária, mas sob rédea curta

    • 💸 Nvidia planeja megaemissão de US$ 20 bilhões

    • 🛑 EUA barram super-IAs da Anthropic

    • 🚀 A fome insaciável da SpaceX

    • 📉 O reinado do ChatGPT começa a derreter

    • ⚖️ Microsoft processada por esconder gastos com IA

  • Coluna - nossos especialistas dão pitacos sobre assuntos relevantes

  • A redação recomenda - dicas de conteúdos diferentões pra consumir

  • Frase do dia - pra refletir, concordar, discordar e compartilhar

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IA & MERCADO
COMMODITY SIM, MILAGRE NÃO

Giphy

Se você achou que o auge do ESX Innovation Experience (evento que rolou em Vitória, ES, entre os dias 11 e 13 de junho) seria apenas ver robôs humanoides desfilando, achou errado! 

O The BRIEF esteve lá e acompanhou o painel “IA aplicada ao negócio: eficiência, escala e vantagem competitiva”. O papo entre Henrique Hamerski (FAESA), Clayton Freire (Wine), Marcus Leitão (Diretor de Inovação) e Luciano Passaretti (Sebrae-ES) deixou bem claro: colocar IA na sua empresa hoje não é diferencial competitivo, é pura obrigação. É o famoso “fazer o feijão com arroz” da era digital, sem frufru.

🎲 O segredo está nos dados

Clayton Freire, que comanda a tecnologia lá na Wine, abriu o jogo sobre como eles usam IA há mais de três anos pra não perderem clientes na assinatura de vinhos e dar aquele empurrãozinho nas recomendações. 

Mas ele mandou o papo reto sobre qual o real update que faz sua empresa pisar na cabeça do concorrente: “IA todo mundo tem acesso, mas IA com vantagem competitiva, você precisa estruturar o seu dado, conhecer o seu dado dentro de casa e aplicar a IA em cima dos seus dados, que aí sim você vai ter um diferencial frente aos seus concorrentes”. Ou seja, sem arrumar a casa antes, a IA vira só um gerador de textão gourmet.

Aí o Marcus Leitão chegou com os dois pés no peito de quem acha que IA serve pra tudo ao mesmo tempo e agora. Ele mandou a real sobre focar em um objetivo por vez pra não virar o pato que nada, voa, corre e não faz nada direito. 

“Se você não saber o que você quer com a IA, qualquer resultado vai chegar e não vai mudar o poder da empresa, do resultado de vocês. Por exemplo, hoje é mais fácil, numa empresa com IA, você reduzir custos do que você aumentar receita”. 

🔨 Calma, baby, IA é só uma ferramenta

Foto: Alice Labate

Sabe aquela galera que coloca “Powered by AI” em absolutamente tudo só pra parecer cool? Luciano Passaretti deu o veredito de que isso é o maior tiro no pé do empreendedor moderno

Se o seu cliente acha que você só dá um “Control + C” no prompt, ele perde o interesse rapidinho. Luciano explicou assim: “Se você vende IA, ou diz que o seu produto tem como principal diferencial a IA, você passa a sensação de que foi só usar um prompt e ela consegue fazer. Hoje, a IA é commodity, não é vantagem competitiva.”

Se você ficou meio perdido em como começar a falar com a máquina sem parecer um robô você mesmo, Marcus Leitão facilitou a nossa vida e desenhou a fórmula mágica do prompt de milhões. 

“Existem algumas letrinhas que eu acho que é legal vocês decorarem. A primeira é o P. Você identifica a persona, o seu cliente. Depois, D — qual a dor do seu negócio, o que você precisa resolver. Por fim, C. Você tem uma empresa que está começando agora, que precisa crescer, aumentar o número de clientes. Qual é o comando? O que eu espero de você?”. Segue esse roteiro e o ChatGPT vira seu funcionário do mês.

🪪 Pão-duro não tem vez na IA corporativa

Pra fechar o painel com aquela dose de realidade dura, o recado final foi um tapa na cara de quem quer gerenciar uma empresa usando apenas a versão free do ChatGPT ou do Claude. Se você quer brincar de gente grande no mercado, vai ter que abrir a carteira. 

Luciano Passaretti foi bem objetivo: “Gente, se vocês querem usar a IA no negócio de vocês, jamais, sob nenhuma circunstância, usem modelos gratuitos. A IA, sendo profissionalmente usada, tem que ter o mínimo de assinatura”. Fim de papo.

👀 DE OLHO NO TECMUNDO (o grande irmão)

🏃‍♀️ ️ DON'T LEAVE, JUST READ (pra ler rapidinho)

🤑 O império de bilhões (e trilhões) de Elon Musk

Uma reportagem especial mapeou o verdadeiro ecossistema de empresas controladas por Elon Musk. A lista vai muito além da gigante dos carros elétricos Tesla e da recém-trilionária SpaceX, englobando também a Neuralink (focada em chips cerebrais) e a The Boring Company (de túneis de alta velocidade).

A estrutura inclui ainda a rede social X e a xAI, que operam com prejuízo, mas permanecem no centro da aposta para expandir a inteligência artificial do bilionário. No fim das contas, o portfólio de Musk mostra que ele quer controlar desde o que você pensa até o foguete que te leva para Marte. Leia mais

🧠 Saúde mental no trabalho


Dois suicídios cometidos em menos de um mês por servidores do Ministério do Trabalho e Emprego soaram o alerta sobre a saúde mental dos funcionários da administração pública brasileira. Os dois episódios aconteceram às vésperas da atualização da NR-1, em 12 de maio. As novas normas reguladoras obrigam empresas privadas e órgãos públicos a observar, a partir de 26 de maio, “fatores de riscos psicossociais” no planejamento de suas atividades.

Se você lidera ou quer liderar no futuro, precisa ficar ligado não apenas nas normas, mas especialmente nos novos papéis que se desenham para a gestão a partir deste novo cenário. No ebook Liderar em 2026, você descobre quais são as novas habilidades esperadas e o panorama da Saúde Mental no mercado de trabalho brasileiro. Clique aqui para baixar gratuitamente!

🤖 DeepSeek bilionária, mas sob rédea curta

A startup chinesa DeepSeek levantou impressionantes US$ 7,4 bilhões em sua primeira rodada de investimentos externos, elevando seu valor de mercado para além dos US$ 50 bilhões. O montante gigante serve para expandir a infraestrutura de computação interna e acelerar pesquisas em inteligência artificial agêntica, numa tentativa de driblar as severas sanções de chips impostas pelos Estados Unidos.

O detalhe mais curioso é a engenharia societária criada para proteger o negócio. O fundador Liang Wenfeng garantiu que o dinheiro ficasse sob uma sociedade limitada administrada por ele, deixando os novos investidores sem direito a voto e congelados por cinco anos. No capitalismo com características chinesas, você entra com o bilhão, mas quem manda no algoritmo continua sendo o dono da casa. Leia mais

💸 Nvidia planeja megaemissão de US$ 20 bilhões

A Nvidia quer aproveitar a onda do mercado de inteligência artificial para encher ainda mais os seus cofres. A gigante dos semicondutores planeja realizar uma das maiores ofertas de ações da história da tecnologia, com o objetivo de levantar ao menos US$ 20 bilhões para financiar a próxima geração de superchips.

O montante bilionário será totalmente direcionado para expandir a capacidade de produção das GPUs Blackwell e acelerar o desenvolvimento da arquitetura sucessora, a Rubin. A liderança da Nvidia quer garantir o monopólio dos componentes de hardware antes que a concorrência consiga sequer ameaçar o seu império dos chips generativos. Leia mais

🛑 EUA barram super-IAs da Anthropic

O governo dos Estados Unidos ordenou a suspensão abrupta dos novos e poderosos modelos de inteligência artificial da Anthropic, o Fable 5 e o Mythos 5. O motivo oficial alegado por Washington envolve riscos à segurança nacional. A gestão de Donald Trump teme que grupos ligados à China tenham explorado falhas nos sistemas e obtido acesso não autorizado às ferramentas.

O bastidor do impasse revela que a Casa Branca temia o uso dos modelos para ciberataques avançados devido à alta capacidade de código das IAs. Enquanto a dona do Claude tenta resolver o “mal-entendido”, a rival OpenAI aproveitou o vácuo para fechar um contrato militar bilionário com o Pentágono. Leia mais

🚀 A fome insaciável da SpaceX

Não bastasse o IPO histórico, a SpaceX avalia a compra da startup de robótica Figure AI por espantosos US$ 60 bilhões. O movimento estratégico visa integrar inteligência artificial humanoide avançada à produção dos foguetes Starship e aos futuros planos de colonização em Marte, acelerando a automação total dos processos de montagem.

A aquisição agressiva pode impulsionar o valor de mercado da companhia de Elon Musk para além dos US$ 2,2 trilhões, superando gigantes tradicionais como a Amazon. Pelo visto, o homem mais rico do mundo cansou de dominar apenas o céu e agora quer colocar robôs para trabalhar no chão. Leia mais

📉 O reinado do ChatGPT começa a derreter

A soberania absoluta do ChatGPT no mercado de inteligências artificiais generativas chegou ao fim. Pela primeira vez desde o seu estrondoso lançamento, a ferramenta da OpenAI caiu abaixo da faixa dos 50% de participação no setor, fechando o mês de maio com 46,4% de uso, segundo a consultoria Sensor Tower.

O principal beneficiado por essa descentralização é o Gemini, do Google, que saltou para a vice-liderança isolada com 27,7% de fatia de mercado, impulsionado pela forte integração ao ecossistema Android. Logo atrás vem o Claude, da Anthropic, garantindo a medalha de bronze com sólidos 10,3%. Leia mais

⚖️ Microsoft processada por esconder gastos com IA

Um grupo de acionistas abriu um processo contra a Microsoft, acusando a gigante de mascarar os custos reais de sua infraestrutura voltada para inteligência artificial. A queixa alega que a empresa inflou os lucros operacionais da divisão de nuvem Azure ao alocar bilhões de dólares em despesas com chips da Nvidia em outras áreas menos visíveis do balanço.

Os investidores afirmam que foram enganados por relatórios financeiros excessivamente otimistas e exigem reparação por perdas na Bolsa após auditorias externas apontarem a manobra. O recado do mercado financeiro para Redmond foi dado: nem toda a mágica dos algoritmos generativos consegue esconder a dura realidade dos custos de servidores. Leia mais

📄 ️COLUNA (por Julia De Luca)

A última semana transformou o mercado de inteligência artificial em um verdadeiro thriller corporativo com roteiro imprevisível. Em poucos dias, anúncios de novos modelos de linguagem foram atropelados por disputas judiciais de direitos autorais, vazamentos de dados confidenciais e demissões abruptas de pesquisadores do alto escalão de segurança.

Essa sucessão de crises expõe como a pressa comercial das Big Techs atropelou as barreiras da governança, deixando governos e empresas sem saber como reagir ao ritmo caótico da tecnologia. Não fique na plateia dessa crise: corra para os bastidores e leia a coluna completa no TecMundo. 🎬🤖

Julia De Luca
Entusiasta de tecnologia, corredora, curiosa e autora da newsletter LatAm Tech Weekly.

✍️ A REDAÇÃO RECOMENDA

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Se a ética for deficiente na liderança, esse comportamento será copiado para todos os níveis da organização.

Robert Noyce, inventor do microchip e cofundador da Intel

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