Conexão Perdida

O Facebook quer voltar ao passado – e a Tesla tenta não ficar nele

28 de março, sexta-feira

Se estivesse vivo, o pintor holandês Vincent van Gogh estaria completando 132 aninhos. Um dos pintores mais influentes da história da arte, embora tenha vivido uma vida marcada por dificuldades financeiras e problemas de saúde mental, sua obra revolucionária foi reconhecida apenas após sua morte. Seus trabalhos mais icônicos, como "A Noite Estrelada", "Os Girassóis" e "Quarto em Arles", continuam a inspirar gerações de artistas e a aparecer frequentemente na cultura pop.

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van gogh GIF

Imagem: Giphy

Facebook quer voltar às raízes

O Facebook está tentando resgatar o espírito das suas origens com a nova aba "Friends", um feed exclusivo para posts de amigos e familiares, sem interferência de algoritmos ou influenciadores. A mudança, por enquanto disponível apenas nos EUA e Canadá, é um aceno ao “OG Facebook”, como Mark Zuckerberg gosta de chamar a versão mais social da plataforma. Segundo Tom Alison, chefe do app, a ideia é recriar a experiência que tornou o Facebook um fenômeno nos anos 2000.

A novidade surge após anos de críticas ao crescimento do conteúdo recomendado por IA, que transformou o feed do Facebook em um espaço dominado por vídeos curtos e postagens de criadores desconhecidos – algo mais parecido com TV do que uma rede social. O modelo impulsionou o engajamento, mas afastou usuários que sentiam falta das conexões pessoais. Agora, a Meta aposta em uma abordagem híbrida: manter os algoritmos no feed principal e oferecer um refúgio nostálgico na aba de amigos.

O movimento é estratégico. Enquanto tenta rejuvenescer sua base de usuários com vídeos e grupos, o Facebook quer reter aqueles que ainda valorizam as interações pessoais. A aba "Friends" pode não superar o feed principal em popularidade, mas é um primeiro passo em uma série de mudanças que devem chegar ao longo de 2025. Afinal, como disse Alison, o Facebook ainda precisa “parecer social” – o que, ironicamente, virou um desafio para a própria rede social.

O Ghibli-verso da OpenAI durou pouco

O novo gerador de imagens do ChatGPT viralizou e saiu do ar em menos de 24 horas. A OpenAI pausou o recurso gratuito depois que usuários inundaram a internet com imagens no estilo do Studio Ghibli, desde versões animadas de fotos familiares até recriações de eventos históricos como o 11 de setembro e a morte de JFK. 

O próprio Sam Altman, CEO da OpenAI, entrou na brincadeira, trocando sua foto de perfil no X por uma versão “Ghibli-ficada” de si mesmo – mas logo depois anunciou a suspensão da ferramenta para usuários não pagantes. A polêmica vai além da nostalgia: legalmente, copiar o estilo de um estúdio não infringe direitos autorais, mas o tema segue um campo minado. 

O próprio Hayao Miyazaki, cofundador da Ghibli, já expressou seu desprezo por arte gerada por IA, chamando-a de um “insulto à vida”. Enquanto isso, usuários encontraram formas de burlar as restrições, criando imagens no estilo de artistas vivos, políticos e até cenas perturbadoras. O caso lembra tendências anteriores, como bonecos Funko Pop gerados por IA, que levantaram questões sobre direitos autorais e uso da imagem de figuras públicas.

BYD ultrapassa Tesla e acirra guerra dos elétricos

A BYD desbancou a Tesla em receita anual de 2024, faturando US$ 107 bilhões contra US$ 97,7 bilhões da rival. O crescimento de 29% foi impulsionado pela venda de híbridos, segmento ignorado por Elon Musk. Em volume total, a chinesa também atropelou: 4,3 milhões de unidades contra 1,79 milhão da Tesla. E ainda anunciou um carregador que recarrega um EV em cinco minutos, contra os 15 da Tesla.

Enquanto a Tesla perde mercado na Europa, com vendas caindo 42% nos primeiros meses do ano, tenta abrir novas frentes. A empresa anunciou um evento em Riad, na Arábia Saudita, para promover sua tecnologia autônoma e o robô Optimus. O movimento acontece apesar da relação turbulenta de Musk com o reino, que já frustrou uma tentativa do bilionário de fechar o capital da Tesla em 2018 e, em seguida, investiu US$ 1 bilhão na concorrente Lucid Motors. Agora, com as ações da Tesla caindo mais de 40% desde dezembro, Musk busca novos aliados.

Além da concorrência chinesa, Musk enfrenta desafios políticos. Seu apoio a Donald Trump e à extrema direita alemã gerou boicotes, enquanto governos ocidentais impõem tarifas sobre veículos chineses. O duelo BYD vs. Tesla está só começando, e o cenário já mostra que, no futuro dos elétricos, o jogo não será decidido apenas na tecnologia, mas também na geopolítica e no preço final ao consumidor.

Solitários na multidão digital

Pesquisadores do MIT Media Lab e da OpenAI analisaram quase 40 milhões de interações com o ChatGPT e notaram um padrão curioso: os usuários mais engajados emocionalmente com a IA tendem a ser mais solitários e dependentes dela. Em um segundo estudo, com quase mil participantes, os mais assíduos – top 10% em tempo de uso – relataram níveis maiores de solidão e menor engajamento social offline.

A coisa fica mais tensa com o uso por voz. Quem usou o chatbot em um gênero diferente do seu relatou mais dependência emocional e solidão após quatro semanas. Mulheres, em especial, mostraram uma leve queda na socialização em comparação aos homens. Embora esses dados ainda sejam preliminares, levantam um alerta sobre o impacto da IA na vida real de mais de 400 milhões de usuários semanais.

Para especialistas, estamos mexendo com o emocional humano como quem faz uma cirurgia no escuro. Chatbots podem, sim, oferecer apoio emocional — especialmente a quem se sente isolado —, mas exigem cuidado na forma como são integrados ao cotidiano. Afinal, estamos conversando com máquinas que respondem como humanos - e o cérebro acredita.

TL;DR

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Devemos ousar inventar o futuro.  

Thomas Sankara

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