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Conquistar é fácil, quero ver manter!

Relatório mostra que apps com IA atraem assinantes, mas perdem usuários mais rápido que apps sem a tecnologia.

12 de março, quinta-feira

Hoje, 12 de março, comemoramos o dia em que o físico Tim Berners-Lee apresentou um documento despretensioso no CERN chamado “Gestão de Informação: Uma Proposta”. Mal sabia o chefe dele — que escreveu “vago, mas emocionante” na capa — que ali nascia a World Wide Web. Em 1989, Berners-Lee inventou o HTML, o HTTP e o primeiro navegador, tudo para organizar a bagunça de informações do laboratório, mas acabou virando esse lugar maravilhoso onde você passa horas vendo vídeos de gatinhos e lendo The BRIEF. O detalhe mais nobre: ele nunca patenteou a invenção e decidiu que a web deveria ser gratuita e aberta para todos. Se hoje você não precisa de um manual de instruções pra abrir um link, agradeça ao Tim, o cara que deu o clique inicial para o mundo se conectar de verdade. 💻🐱

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MERCADO & TECNOLOGIA
CONQUISTAR É FÁCIL, QUERO VER MANTER!

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Um estudo realizado pela empresa RevenueCat de fevereiro de 2022 a fevereiro de 2026, com dados de mais de 1 bilhão de transações, revela que apps com inteligência artificial monetizam melhor no começo, mas enfrentam mais cancelamentos ao longo do tempo.

A IA virou praticamente tempero obrigatório no mundo dos aplicativos. Se não tem “IA” no nome ou na descrição, parece até que o app ficou velho antes de nascer, mas um novo relatório mostra que essa estratégia pode não garantir o que os desenvolvedores mais querem: usuários fiéis pagando todo mês.

O estudo da empresa de ferramentas de gestão de assinaturas aponta que aplicativos com inteligência artificial têm mais dificuldade pra manter assinantes ao longo do tempo. Em média, o cancelamento de assinaturas anuais acontece 30% mais rápido nesses apps do que nos que não usam IA.

😎 Todo mundo quer IA (mas nem tanto)

O levantamento faz parte do Relatório sobre o Estado dos Aplicativos de Assinatura de 2026 e analisou apps de iOS, Android e web que utilizam as ferramentas da empresa. Na prática, isso significa um universo bem grande: mais de 1 bilhão de transações dentro de aplicativos, que geram cerca de US$ 11 bilhões por ano pros desenvolvedores.

Mesmo com todo o hype da tecnologia, a maioria dos aplicativos ainda não usa inteligência artificial. Segundo o relatório, 27,1% dos apps têm IA, enquanto 72,9% continuam sem a tecnologia, ou seja, a sensação de que “todo app agora tem IA” é um pouco de exagero (ou resposta traumática, vai saber).

📸 Onde a IA aparece mais

Entre os aplicativos que usam inteligência artificial, os de foto e vídeo lideram com folga: 61,4% deles já têm algum tipo de IA. Não é difícil entender por quê, já que, hoje, a tecnologia está por trás de filtros automáticos, edição de imagem com um clique e até geração de fotos do zero, basicamente o kit completo para deixar qualquer feed mais bonito.

No outro extremo estão os jogos, onde só 6,2% dos aplicativos usam IA. Outras categorias também aparecem com participação menor, como viagens (12,3%) e negócios (19,1%). Enquanto algumas áreas abraçaram a IA de vez, outras ainda parecem estar observando a novidade com um certo “vamos ver se isso funciona mesmo”.

RevenueCat

💔 E o que vem depois do teste grátis?

Agora vem a parte que costuma tirar o sono de qualquer desenvolvedor: retenção. Em bom português, é a capacidade do aplicativo de convencer o usuário a continuar pagando depois que passa aquela empolgação inicial do “nossa, olha o que esse app faz”. Porque baixar e testar é fácil, difícil mesmo é virar hábito.

Segundo o relatório, os aplicativos com inteligência artificial estão apanhando justamente nesse ponto. A retenção anual, que mede quantos assinantes continuam pagando depois de 12 meses, é de 21,1% nos apps com IA. Já nos aplicativos sem IA, o número sobe pra 30,7%.

No curto prazo, a diferença também aparece. A retenção mensal desses aplicativos é de 6,1%, enquanto os apps sem IA chegam a 9,5%. Parece uma distância pequena, mas no mundo das assinaturas digitais cada ponto percentual conta muito, e quando milhões de usuários estão envolvidos, essa diferença pode significar uma boa fatia da receita indo com Deus.

RevenueCat

Curiosamente, a única métrica em que os apps com IA se saem melhor é na retenção semanal. Nesse período, eles conseguem manter 2,5% dos usuários, contra 1,7% nos apps sem IA. Mas tem um detalhe importante: assinaturas semanais não são o modelo mais comum nesse tipo de aplicativo, então esse desempenho melhor acaba tendo impacto limitado no resultado geral.

Uma das possíveis explicações pra essa rotatividade é o próprio ritmo frenético da tecnologia. A IA evolui tão rápido que novos apps aparecem o tempo todo prometendo respostas melhores, imagens mais realistas ou ferramentas mais poderosas. Resultado: o usuário baixa, testa, acha incrível… e logo depois instala outro pra comparar.

💸 Devolve meu dinheiro!

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Outro sinal de alerta aparece nas taxas de reembolso. Segundo o relatório, aplicativos com inteligência artificial registram pedidos de devolução cerca de 20% maiores do que apps que não usam a tecnologia. A mediana fica em 4,2% nos apps com IA, enquanto nos aplicativos tradicionais é de 3,5%.

No limite superior das taxas de reembolso, a distância fica ainda mais visível. Alguns aplicativos com IA chegam a 15,6% de reembolsos, enquanto os apps sem IA ficam em 12,5%. Pra RevenueCat, isso sugere algo além de simples arrependimento do usuário.

Segundo o relatório, esses números podem indicar problemas mais profundos, como experiência ruim, promessa exagerada ou valor percebido que não se sustenta depois do uso inicial.

👻 Calma, não precisa chorar

Mas calma, porque o cenário não é só de alerta vermelho. Em alguns pontos importantes, os aplicativos com IA estão mandando bem, especialmente na fase inicial, quando o usuário ainda está testando a novidade.

O estudo mostra que apps com inteligência artificial convertem usuários de teste gratuito em assinantes pagos 52% melhor do que aplicativos sem IA. Na mediana, 8,5% dos usuários acabam pagando, contra 5,6% nos apps tradicionais.

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Além disso, esses aplicativos conseguem monetizar downloads cerca de 20% melhor. Traduzindo: quando alguém baixa um app com IA, a chance de aquela pessoa gastar algum dinheiro ali dentro é maior. O efeito curiosidade ainda funciona, e muito!

Isso aparece também no chamado valor vitalício do usuário, uma métrica que estima quanto dinheiro um assinante gera ao longo do tempo. Nos apps com IA, o valor mensal médio chega a US$ 18,92, enquanto nos aplicativos sem IA fica em US$ 13,59.

No cálculo anual, a diferença continua. Aplicativos com inteligência artificial registram cerca de US$ 30,16 de valor médio, contra US$ 21,37 nos apps sem a tecnologia.

 

📱 Moral da história (versão app store)

O relatório chega a uma conclusão bem clara: a IA ajuda muito a gerar dinheiro no começo, mas ainda não garante fidelidade no longo prazo.

Ela atrai atenção, convence mais gente a testar o aplicativo e até aumenta as chances de alguém virar assinante. Mas, depois que passa o efeito novidade, o usuário continua fazendo o que sempre fez na internet: testar, comparar e trocar de app sem dó, nem piedade.

Pros desenvolvedores, o recado é quase um lembrete básico do mundo digital: IA não substitui produto bom. Se a experiência não for útil de verdade, a tecnologia vai direto pra “pasta dos apps esquecidos”, que infelizmente nenhum algoritmo conseguiu resolver até agora.

👀 DE OLHO NO TECMUNDO (o grande irmão)

  • Cibercrime – Funcionário da JBS teria ajudado a vazar 3 TB de dados para grupo criminoso

  • Testamos o novo celular – Motorola Signature deixa ‘fantasmas’ do passado para trás

  • VENON – Malware brasileiro troca seu Pix na hora do pagamento

  • Timothée Chalamet – Entenda polêmica que pode fazer o ator perder o Oscar 2026 de Melhor Ator

  • Browser-in-the-browser – Conheça o 'phishing 2.0' que rouba logins e senhas

  • Estudo revela – IAs podem ajudar adolescentes a fazer ataques armados

🏃‍♀️ ️ DON'T LEAVE, JUST READ (pra ler rapidinho)

💰 PF derruba o “Império do Gatonet”

A Polícia Federal deflagrou a Operação Bucaneiros, desmantelando um esquema de TV pirata (IPTV) que movimentou mais de R$ 4,2 milhões. A ação ocorreu em vários estados e resultou na apreensão de R$ 1,7 milhão em dinheiro vivo, além de oito carros de luxo.

Os criminosos usavam apps e sites que, além de transmitirem filmes e canais pagos ilegalmente, expunham os usuários a malwares que roubavam dados bancários. O grupo, que não tinha emprego formal, mas ostentava uma vida de luxo, agora responde por lavagem de dinheiro, violação de direitos autorais e associação criminosa. Leia mais

📺 YouTube é o novo rei da mídia

O YouTube desbancou a Disney e se tornou a maior empresa de mídia do mundo em receita. Segundo um estudo da consultoria MoffettNathanson, a plataforma do Google faturou impressionantes US$ 62 bilhões em 2025, superando os US$ 60,9 bilhões da divisão de mídia da gigante do Mickey.

O sucesso é impulsionado principalmente pela publicidade e pelo crescimento explosivo de assinaturas como o YouTube Premium e YouTube TV. Além da liderança financeira, o YouTube é avaliado hoje em até US$ 560 bilhões, consolidando-se como o “rei absoluto” do entretenimento global. Leia mais

🛑 OpenAI adia o “modo adulto”

A OpenAI confirmou que o lançamento do “modo adulto” no ChatGPT foi adiado por tempo indeterminado. A empresa declarou que está focando em prioridades mais urgentes para os utilizadores, como o aumento da inteligência do chatbot, melhorias na sua personalidade e uma experiência mais proativa e personalizada.

Embora a OpenAI mantenha o princípio de “tratar adultos como adultos”, a empresa admite que criar barreiras de segurança eficazes e sistemas de verificação de idade robustos exige mais tempo e cuidado antes da estreia oficial. Leia mais

🧠 Meta: chips “caseiros” pra IA

A Meta anunciou o desenvolvimento de hardware próprio para alimentar os seus data centers e impulsionar as suas redes sociais. O plano é lançar quatro gerações de chips proprietários nos próximos dois anos como parte do programa Meta Training and Inference Accelerator (MTIA). Esses componentes serão usados para otimizar sistemas de recomendação, ranqueamento e aplicações de IA generativa.

A empresa pretende lançar um novo chip a cada seis meses (do MTIA 300 ao 500), buscando maior eficiência e independência de fornecedores externos, seguindo os passos de gigantes como Google e Microsoft. Leia mais

✍️ A REDAÇÃO RECOMENDA

  • Sobre o sentido da vida (livro, 152 páginas, em português)

    O livro reúne conferências de Viktor Frankl sobre a capacidade humana de encontrar propósito, mesmo após o horror. O psicoterapeuta reflete sobre resiliência e a busca por sentido como essência da vida. 🧠✨

  • Sinais (filme, 2002, 106 minutos)

    Os irmãos Morgan e Bo enfrentam o luto familiar enquanto fenômenos estranhos surgem em sua fazenda. O suspense de M. Night Shyamalan explora fé e coincidências diante de uma ameaça alienígena. 👽🌾

  • Cabeça de campeão (livro, 384 páginas, em português)

    Os autores exploram a mentalidade de alta performance além dos esportes, focando em valores como lealdade e elegância. O livro oferece um “Mapa Mental” para superar obstáculos e alcançar o sucesso pessoal. 🏆🧠

  • Todo mundo em pânico (filme, 2000, 89 minutos)

    Um grupo de adolescentes é perseguido por um assassino mascarado após um atropelamento acidental. O filme satiriza clássicos do terror dos anos 1990, como Pânico e Eu Sei o que Vocês Fizeram no Verão Passado. 🔪😱

O sucesso não é a chave para a felicidade. A felicidade é a chave para o sucesso. Se você ama o que faz, você terá sucesso.

Albert Schweitzer, teólogo e organista alemão

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