• The BRIEF
  • Posts
  • O RH perdoa IA... só pros homens

O RH perdoa IA... só pros homens

Estudo mostra que currículos feitos com IA foram julgados de forma diferente quando tinham nome de mulher, e homens da Gen Z não pegaram leve.

12 de maio, terça-feira

Hoje, 12 de maio, lembramos a morte de Edme Mariotte, em 1684, um cientista que provou que até o ar “obedece regras”. Mariotte descobriu de forma independente a famosa Lei de Boyle-Mariotte, que mostra como o volume de um gás diminui quando a pressão aumenta. Em outras palavras, é por isso que um pacote de salgadinho estufa no avião e também como funcionam seringas, cilindros de mergulho e até motores. Mas ele não parou por aí: Mariotte também identificou o “ponto cego” do olho humano, aquela pequena área da retina onde o nervo óptico passa e simplesmente não enxergamos nada. O mais curioso? Nosso cérebro preenche automaticamente esse vazio sem a gente perceber, ou seja, além de estudar o comportamento dos gases, ele descobriu que nosso cérebro literalmente edita a realidade o tempo todo. 👁️✨

⚡ O QUE VOCÊ VAI VER?

Recebeu a news de um amigo?
Clica aqui para se inscrever

IA & CARREIRA
O RH PERDOA IA… SÓ PROS HOMENS

Giphy

Se você já jogou o currículo no ChatGPT pra “dar uma lapidada” antes de mandar pra vaga dos sonhos, calma que você não está sozinho. O problema é que, aparentemente, a internet, e talvez o RH também, julga esse uso de formas bem diferentes dependendo de quem está usando a IA

Um novo estudo descobriu que um currículo gerado por IA recebeu avaliações muito mais negativas quando estava no nome de uma mulher. Sim, o mesmo currículo, literalmente Ctrl C + Ctrl V. A única diferença? O nome no topo da página.

A pesquisa foi conduzida por Zehra Chatoo, ex-estrategista da Meta e fundadora do think tank Code For Good Now. Ela criou dois currículos idênticos com ajuda de IA: um pra “Emily Clarke” e outro para “James Clarke”. Os documentos foram enviados pra grupos diferentes de avaliadores, que sabiam que os currículos tinham sido produzidos com apoio de IA. E aí veio o plot twist que ninguém queria, mas todo mundo meio que imaginava.

📃 Mesmo currículo, julgamentos diferentes

Quem analisou o currículo da Emily teve 22% mais chances de desconfiar da honestidade dela em comparação ao James. Além disso, o CV feminino teve o dobro de chances de levantar dúvidas sobre competência profissional, ou seja, quando o homem usa IA, ele é “eficiente”; quando a mulher usa IA, parece que ela “trapaceou”. 

Os comentários dos avaliadores ajudam a entender o tamanho do viés. Sobre Emily, apareceu frase como: “Ela nem consegue escrever um currículo sozinha”, já James ouviu algo mais na linha “ele só precisava de uma ajudinha”. 

A diferença parece pequena, mas muda completamente a percepção sobre capacidade profissional. Segundo Chatoo, quando homens usam IA, as pessoas questionam o esforço, mas quando as mulheres usam, questionam a integridade

Giphy

♀️ O medo de parecer “menos competente”

Esse comportamento ajuda a explicar outro dado importante: mulheres usam menos IA do que homens. Um estudo do professor Rembrand Koning, da Harvard Business School, estimou que a diferença de adoção da tecnologia entre os gêneros gira em torno de 25%. 

A lógica é meio cruel: se existe medo de ser julgada por usar IA, muita gente prefere simplesmente não usar, mesmo que a ferramenta ajude no trabalho. 

E não para por aí. Um estudo do Caltech com 3 mil pessoas mostrou que mulheres tendem a ser mais céticas em relação aos benefícios da IA e mais preocupadas com os riscos da tecnologia. A preocupação faz sentido: outra pesquisa, do Instituto Brookings, apontou que 86% dos cargos com alta exposição à IA e pouca capacidade de adaptação tecnológica são ocupados por mulheres.

❌ Gen Z entrou no chat…

Talvez a parte mais inesperada da pesquisa tenha vindo da Geração Z (dessa vez vou ter que ser hater). Os homens mais jovens, que cresceram junto com ChatGPT, TikTok e algoritmo decidindo o que assistir no almoço, foram justamente os que pegaram mais pesado com Emily

Entre os entrevistados da Gen Z, homens tinham 3,5 vezes mais chances de classificar o currículo dela como “fraco” em comparação ao de James. O currículo masculino teve aprovação de 97% e o feminino, com exatamente o mesmo conteúdo, foi considerado forte por 76% das pessoas.

👀 DE OLHO NO TECMUNDO (o grande irmão)

🏃‍♀️ ️ DON'T LEAVE, JUST READ (pra ler rapidinho)

🤠 EUA querem “domar” as IAs


Os EUA decidiram colocar as IAs das big techs na “vistoria” antes de liberar tudo pro público. Google, Microsoft, OpenAI, xAI e Anthropic fecharam acordos com o governo americano para que seus modelos sejam testados por um órgão especializado chamado CAISI, que vai investigar possíveis riscos ligados a cibersegurança, armas químicas e até ameaças biológicas. A ideia é descobrir se essas ferramentas podem fazer mais do que deveriam antes de virarem febre na internet.

A movimentação chama atenção porque marca uma mudança no governo Trump, que sempre defendeu menos regras para a IA. Mesmo sem criar novas agências reguladoras, os EUA agora querem acompanhar mais de perto o que essas empresas estão desenvolvendo. Leia mais

👾 IA hacker dá susto no Google


O Google revelou que conseguiu barrar uma ferramenta criminosa criada com ajuda de IA antes que ela fosse usada de verdade. Segundo a empresa, hackers teriam usado IA para encontrar uma falha “invisível” em sistemas de segurança e tentar invadir redes sem precisar roubar senhas. A ideia era automatizar ataques de um jeito muito mais rápido e inteligente do que os golpes tradicionais.

O caso ligou o alerta porque mostra que a IA já entrou oficialmente no mundo do cibercrime pesado. O Google não contou qual modelo foi usado nem quem estava por trás do ataque, mas disse que os criminosos tentaram driblar sistemas de autenticação multifator usando scripts automatizados. Leia mais

🕶️ Óculos com câmera assustam mulheres


Uma mulher em Londres descobriu do pior jeito que estava sendo filmada por um homem usando óculos inteligentes enquanto andava em um shopping. O vídeo foi parar nas redes sociais, bateu mais de 40 mil visualizações e mostrava a interação sem que ela soubesse que estava sendo gravada. O mais bizarro veio depois: quando pediu para apagar o conteúdo, o homem respondeu cobrando dinheiro pela remoção.

O caso reacendeu o debate sobre os óculos com câmera, como os Ray-Ban da Meta, que estão sendo usados por criadores de conteúdo para gravar pessoas escondido em vídeos de “paquera” e interação social. TikTok, Meta e YouTube removeram os perfis do homem, mas a vítima disse continuar desconfortável sabendo que os arquivos ainda existem. A polícia chegou a investigar o caso, mas não conseguiu avançar. Leia mais

🤖 Musk tentou “roubar” a OpenAI


Elon Musk teria chegado a sugerir uma espécie de “casamento corporativo” entre a Tesla e a OpenAI, segundo depoimento da ex-conselheira Shivon Zilis. Ela contou em tribunal que, em meio a discussões bem intensas entre 2017 e 2018, Musk até ofereceu uma vaga no conselho da Tesla para Sam Altman, numa tentativa de aproximar as empresas e facilitar uma possível fusão.

Os documentos e mensagens exibidos no julgamento também mostram Musk tentando levar talentos da OpenAI para a Tesla e até criar um laboratório de IA dentro da montadora. Zilis disse ainda que o clima interno era caótico e cheio de disputas sobre o futuro da startup. Leia mais

📄 ️COLUNA (por Harold Schultz)

A IA está entrando em uma nova fase em que não depende mais de estruturas fixas de agentes para resolver tarefas complexas. Em vez disso, ela cria especialistas sob demanda, ajustando funções e ferramentas em tempo real conforme o problema aparece.

Essa mudança aponta para sistemas mais autônomos e adaptativos, que organizam suas próprias “equipes” de execução enquanto trabalham. Na prática, isso pode redesenhar a forma como interagimos com IA e reduzir a dependência da engenharia de prompts tradicional. Leia mais na coluna de Harold Schultz.

Harold Schultz
Head of Product & AI na Labrynth (Vale do Silício). Sócio da MakeOne LAB, vencedora do prêmio de melhor empresa de IA para CX no CONAREC 2025.

✍️ A REDAÇÃO RECOMENDA

  • As Telefonistas

    (série, 5 temporadas, 42 episódios)

    Quatro amigas começam a trabalhar como telefonistas em Madri nos anos 1920 e vivem romances, conflitos, segredos e muitos desafios numa época em que mulheres tinham pouca liberdade. ☎️🚂

  • Incêndios

    (filme, 2010, 130 minutos)

    Após a morte da mãe, dois irmãos viajam ao Oriente Médio para descobrir segredos do passado da família e acabam revelando uma história chocante sobre guerra, violência e trauma. 🪖💨

  • Mindset: A Nova Psicologia do Sucesso

    (livro, 312 páginas, em português)

    O livro mostra como a forma de pensar influencia nosso sucesso, nossos relacionamentos e a maneira como lidamos com desafios, erros e objetivos ao longo da vida. 📖🧠

  • Anne with an E

    (série, 3 temporadas, 27 episódios)

    Anne é uma órfã cheia de imaginação que vai morar com dois irmãos solteiros no interior e tenta encontrar seu lugar no mundo enquanto enfrenta desafios, preconceitos e faz novas amizades. 👒💐

Não aceito mais as coisas que não posso mudar, estou mudando as coisas que não posso aceitar.

Angela Davis, professora, filósofa e ativista socialista estadunidense

O que achou da news de hoje? 🕵️

Conte aí embaixo pra que possamos melhorar nosso conteúdo!

Faça Login ou Inscrever-se para participar de pesquisas.

Somos o The BRIEF, o briefing diário de inovação, tecnologia e negócios com inteligência e personalidade pra quem precisa estar por dentro de tudo sem perder tempo e o bom humor. Uma criação original do TecMundo. Editor: Rafael Farinaccio. Repórter: Alice Labate.